
A produção de carne de frango em Angola registou um crescimento de 11% entre 2024 e 2025, passando de 57.145 para 63.436 toneladas, revelou ontem, quinta-feira, em Luanda, o director-geral do Instituto dos Serviços de Veterinária (ISV), Capitão Cabonde.
Apesar deste aumento, o país importou no ano passado cerca de 228 mil toneladas do produto.
Falando durante um painel da Conferência Nacional sobre o Desenvolvimento do Sector Avícola, o responsável destacou que, apesar dos avanços registados e do potencial existente, o sector ainda enfrenta desafios estruturais que dificultam a garantia da segurança alimentar e a redução da dependência das importações.
Entre os principais constrangimentos, apontou as dificuldades de acesso ao crédito e aos medicamentos veterinários, os elevados custos dos insumos e as fragilidades nas infra-estruturas técnicas e na cadeia logística de frio.
No que diz respeito ao abate e processamento de frango, Capitão Cabonde referiu que o país dispõe de uma capacidade de abate de cerca de 130 mil aves por dia.
Entre as principais unidades destacam-se a Avinova e a Pérola do Kikuxi, em Luanda, a Aldeia Nova, no Cuanza Sul, e a Fazenda Piafó, no Cuanza Norte.
Segundo o responsável, grande parte da produção avícola nacional está concentrada em dez unidades localizadas nas províncias do Cuanza Norte, Malanje, Lunda Norte e Moxico.
Estas infra-estruturas somam mais de 200 naves avícolas, com uma capacidade instalada superior a um milhão de aves, apoiadas por três fábricas de ração e dois matadouros.
O director-geral do ISV sublinhou ainda que o sector privado tem registado uma expansão significativa em termos de produção e investimento, com o apoio do Governo, sobretudo nas províncias da região Norte, com destaque para Luanda e o Bengo.
Referiu igualmente que a província da Huíla deverá contar, em breve, com 45 novos aviários, no âmbito de um financiamento concedido pelo Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (FADA).
Na mesma ocasião, o director da Fazenda Filomena, Sidney Ferreira, considerou que o elevado custo da ração e a dependência de insumos importados – como milho, soja e pintos do dia – continuam a ser os principais entraves para que o país alcance a auto-suficiência na produção de carne de frango até 2030.
Por sua vez, Efraim Hilf, representante da Fazenda Emirais, defendeu a adopção de melhorias técnicas na produção, incluindo o aumento do peso das aves.
Segundo explicou, aves com peso médio em torno de dois quilogramas tornam-se mais nutritivas e podem contribuir para tornar o produto nacional mais competitivo face ao frango importado, apesar de implicarem um custo de produção mais elevado por quilograma.
Projecções e metas sanitárias
Relativamente ao controlo sanitário, Capitão Cabonde reforçou a necessidade de se melhorar os mecanismos de vigilância e prevenção de doenças.
De acordo com o responsável, enfermidades como a doença de Newcastle e a coriza aviária continuam a provocar taxas de mortalidade que variam entre 25% e 30% em algumas explorações.
As projecções apontam que, até 2030, a produção nacional de carne de frango possa atingir cerca de 103 mil toneladas. Entretanto, estima-se que a procura interna ronde as 365 mil toneladas, considerando uma população projectada de 40 milhões de habitantes.
A Conferência Nacional sobre o Desenvolvimento do Sector Avícola é uma iniciativa do Fundo Soberano de Angola e tem como objectivo recolher contributos para a modernização e expansão do sector, promovendo maior competitividade, redução das importações e o reforço da segurança alimentar no país.
O encontro reuniu membros do Governo e representantes de empresas do sector, que identificaram como principais desafios para o aumento da produção o reforço da produção nacional de grãos, a melhoria dos sistemas de irrigação e a facilitação do acesso ao crédito e aos insumos.