
As inundações causadas pelo transbordo do Rio Cavaco, no município de Benguela, já provocaram pelo menos 19 mortos e deixaram 31 pessoas desaparecidas, de acordo com o balanço actualizado divulgado quarta-feira pela Comissão Provincial de Protecção Civil de Benguela.
Segundo as autoridades, prosseguem no terreno as operações de busca e resgate das pessoas dadas como desaparecidas, enquanto o número de famílias afectadas ascende a 8.036, actualmente realojadas em centros de acolhimento de emergência.
O segundo comandante provincial dos Serviços de Protecção Civil e Bombeiros, inspector bombeiro Nilson César, indicou que 3.624 pessoas foram resgatadas em bairros ribeirinhos atingidos pelas cheias ocorridas a 12 de abril.
No que respeita aos danos materiais, as autoridades contabilizam 1.540 residências desabadas, 3.871 danificadas e 2.586 inundadas. Entre as zonas mais afectadas estão os bairros da Calomanga, Tchipiandalo, Cotel, Seta Antiga, Condule, Compão, Calomburaco, Quioxe e Massangarala.
As equipas no terreno prosseguem trabalhos de limpeza e reabertura de acessos nas áreas afectadas, permitindo o regresso gradual de algumas famílias às suas habitações, sobretudo nas zonas onde já existem condições mínimas de segurança. Segundo Nilson César, este processo teve início na terça-feira e continua em curso.
Entretanto, o centro de acolhimento instalado no Estádio Nacional de Ombaka foi desactivado, tendo as famílias sido transferidas para o novo centro de Campismo.
Permanecem activos dois centros de acolhimento: o novo Campismo, nos arredores de Benguela, e o antigo Campismo, no município dos Navegantes.
Governo aprova pacote de apoio
Face ao impacto das cheias, o Executivo angolano aprovou um conjunto de medidas financeiras, fiscais e sociais para apoiar as famílias e empresas afectadas.
O anúncio foi feito pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, no final de uma sessão extraordinária da Comissão Económica do Conselho de Ministros, orientada pelo Presidente da República, João Lourenço.
Entre as medidas destaca-se a criação de uma linha de crédito de 30 mil milhões de kwanzas, destinada à recuperação da actividade económica, permitindo às empresas repor stocks e adquirir equipamentos, com taxa de juro anual de 7,5% e períodos de carência até 12 meses.
O pacote inclui ainda o adiamento, por 90 dias, do pagamento de impostos e o alargamento para 120 dias dos prazos de regularização de dívidas fiscais.
No domínio da segurança social, as empresas afectadas beneficiarão de uma isenção temporária de três meses da contribuição patronal de 8%, medida que visa preservar os postos de trabalho numa altura de recuperação após a calamidade.