
O comandante do regimento de engenharia e sapadores, coronel Garcia Bumba Afonso, afecto à 101.ª Brigada de Tanques das Forças Armadas Angolanas (FAA), está a ser acusado de ordenar o desmantelamento de meios militares obsoletos para posterior venda clandestina como sucata.
Segundo fontes do Imparcial Press, os materiais estariam a ser retirados das instalações da brigada localizada no Campo Militar da Funda, no município do Sequele, província do Icolo e Bengo, sendo vendidos clandestinamente a empresas de pesagem de ferro a cerca de dois mil kwanzas por quilograma.
Entre os equipamentos alegadamente desmantelados constariam esteiras de blindados, peças de camiões de marca Kamaz e componentes de artilharia pesada que se encontram armazenados na unidade militar.
De acordo com as fontes, parte do material estaria a ser canalizada directamente para empresas siderúrgicas que produzem varões de ferro, como a Fabrimetal e a Karam, bem como para casas de pesagem localizadas na Via Expressa, Viana, Benfica, Kifica, Calemba 2 e Golf 2.
As denúncias surgem num contexto em que o Governo angolano tem vindo a apertar o cerco ao comércio de sucata metálica. Em Janeiro último, um Decreto Executivo assinado pelo ministro da Indústria e Comércio, Rui Minguês de Oliveira, determinou a interdição e revogação das licenças de todas as casas de pesagem, sucateiras e intermediários ligados ao negócio de pesagem de metais ferrosos e não ferrosos.
A medida abrange igualmente operadores de balanças comerciais, pontos de recolha, armazéns, estaleiros e outros espaços utilizados para a compra e venda de sucata metálica.
Com a decisão governamental, foram cancelados todos os alvarás comerciais anteriormente concedidos para este tipo de actividade.
O Executivo justificou a medida com a necessidade de proteger o interesse público, garantir a segurança e travar o crescente vandalismo de infra-estruturas metálicas, frequentemente associado ao comércio ilegal de sucata.
Nos últimos anos, diversos casos de roubo de componentes metálicos em infra-estruturas eléctricas, sistemas de água, transportes, telecomunicações e saneamento têm sido atribuídos à procura crescente por metais no mercado informal.