
O economista, consultor e empresário angolano Adelino Filipe Galvão Branco, uma das vozes mais conhecidas do pensamento económico da sociedade civil em Angola, faleceu ontem, segunda-feira, 30, em Luanda, vítima de doença, soube o Imparcial Press.
Até ao momento, não foram divulgadas oficialmente as causas da morte, nem informações sobre as cerimónias fúnebres.
Galvão Branco destacou-se ao longo das últimas décadas como uma das figuras mais interventivas do espaço público angolano em matérias ligadas à economia, banca, petróleo, investimento privado, governação corporativa e reformas estruturais.
Presença frequente em jornais, conferências, debates públicos e fóruns empresariais, o economista construiu uma reputação de analista independente e de comentador atento aos principais desafios da economia angolana, num período marcado pela transição do país para uma lógica de economia de mercado.
Ao longo do seu percurso, foi uma das vozes que mais insistiu na necessidade de diversificação da economia, no reforço do sector privado nacional, na melhoria do ambiente de negócios e na adopção de políticas públicas orientadas para a sustentabilidade financeira e produtiva do país.
Galvão Branco esteve também ligado ao universo empresarial, sendo associado à GB Consultores Reunidos, empresa angolana de consultoria e engenharia fundada em 2006, com intervenção em áreas como gestão, elaboração de estudos e projectos, fiscalização de obras públicas e apoio estratégico a empresas e instituições públicas.
Voz crítica sobre petróleo, banca e privatizações
Descrito por vários sectores como uma “bússola dos negócios”, Galvão Branco tornou-se uma referência no comentário económico, sobretudo em momentos de maior tensão sobre o rumo da economia nacional.
Em diferentes intervenções públicas, analisou com frequência temas como a reestruturação da Sonangol, a governação do sector petrolífero, a solidez do sistema bancário, as privatizações e a necessidade de maior racionalidade na gestão das empresas públicas.
Numa entrevista amplamente citada, o economista defendeu que os modelos de liderança em grandes empresas estatais, como a Sonangol, deveriam ser mais transparentes e alinhados com boas práticas de governação corporativa.
Percurso entre o sector público e a consultoria privada
De formação base em engenharia electromecânica, Galvão Branco transitou posteriormente para a área da gestão e consultoria, consolidando um perfil híbrido entre o técnico e o estratega empresarial.
Segundo perfis anteriormente publicados na imprensa económica, parte da sua trajectória profissional foi construída no sector empresarial público, antes de se afirmar no sector privado como consultor de gestão e analista económico.
Entre as experiências referidas publicamente consta a sua passagem pelo grupo Tecnocarro, apontada como uma etapa importante na definição do seu percurso profissional. ([forbespt.com][3])
A sua intervenção pública ganhou maior visibilidade num contexto em que Angola procurava redefinir o seu modelo económico, face à dependência do petróleo, à fragilidade do tecido produtivo e aos desafios de criação de emprego, competitividade e atracção de investimento.
Figura do debate económico angolano
Galvão Branco integrava uma geração de economistas e quadros empresariais que ajudaram a alimentar o debate sobre os caminhos da economia angolana no pós-guerra, sobretudo no que respeita à construção de uma base produtiva mais diversificada e menos dependente dos ciclos petrolíferos.
Nos meios empresariais e académicos, era frequentemente visto como um defensor de uma economia mais disciplinada, previsível e orientada para resultados, mantendo uma postura crítica, mas geralmente pragmática, em relação às políticas públicas e à gestão macroeconómica.
A morte de Galvão Branco representa a perda de uma figura que, durante anos, ajudou a interpretar e a questionar os rumos da economia angolana a partir da sociedade civil.