
Informações postas a circular no seio do MPLA apontam para um eventual envolvimento do director-geral do Serviço de Inteligência e Segurança do Estado (SINSE), Fernando Garcia Miala, e do secretário-geral do partido, Paulo Pombolo, na alegada recolha de assinaturas de apoio a uma candidatura ainda não anunciada à presidência da formação política.
As mesmas informações sugerem que a iniciativa poderá estar ligada a movimentações internas associadas ao actual líder do partido, João Lourenço, numa altura em que o MPLA se prepara para a realização do seu IX Congresso Ordinário.
Fontes do Imparcial Press indicam que militantes do partido estarão a ser incentivados a subscrever fichas de apoio a uma candidatura cuja identidade não foi tornada pública, situação que tem gerado apreensão em diferentes sectores internos.
Segundo as mesmas fontes, as alegadas acções estarão a decorrer em várias estruturas partidárias, incluindo Comités de Acção, comités municipais e provinciais, coincidindo com o arranque do processo de renovação de mandatos internos.
Face a situação, os militantes apelam à não subscrição de fichas de apoio sem a identificação clara do candidato, defendendo que a escolha deve ser livre, consciente e isenta de qualquer tipo de pressão, recomendando a denúncia de eventuais actos de coação, intimidação ou retaliação no âmbito do processo interno.
O processo de candidaturas à presidência do MPLA, aberto desde 28 de Março no âmbito do IX Congresso Ordinário do partido, ainda não registou qualquer candidatura formal, apesar de vários militantes já terem manifestado publicamente a intenção de disputar a liderança da maior força política do país.
O período de submissão de candidaturas decorre até ao dia 25 de Outubro, sendo que a fase de validação está prevista para os dias 2 a 5 de Novembro.
A campanha eleitoral interna terá início no dia 6 de Novembro e terminará a 7 de Dezembro, antecedendo o congresso marcado para os dias 9 e 10 de Dezembro, em Luanda.
Para concorrer à presidência do MPLA, os candidatos deverão reunir 5.000 assinaturas de militantes, incluindo 200 assinaturas em cada província do país, além de cumprir requisitos estatutários como possuir pelo menos 15 anos de militância, estar em pleno gozo dos direitos políticos e demonstrar fidelidade aos princípios e programa do partido.
O caso surge num contexto em que já são conhecidas intenções de candidatura, inclusive de João Lourenço, à liderança do partido, embora nenhuma tenha sido formalizada, até agora, aumentando a expectativa em torno da disputa interna que deverá marcar o congresso previsto para Dezembro.