
O Papa Leão XIV optou por não se hospedar em unidades hoteleiras de luxo durante a sua visita a Angola, permanecendo na Nunciatura Apostólica de Angola, numa decisão interpretada como um gesto de simplicidade, proximidade e comunhão com a Igreja local, apurou o Imparcial Press.
A escolha do líder da Igreja Católica contrasta com protocolos habituais em visitas de alto nível, sendo vista por observadores como um sinal de coerência com a mensagem de humildade e solidariedade que tem marcado a sua deslocação ao país.
A visita insere-se numa digressão africana que inclui ainda a Argélia, os Camarões e a Guiné Equatorial. Trata-se da terceira visita de um pontífice a Angola, depois de João Paulo II e Bento XVI.
Durante a estadia, o Papa presidiu este domingo a uma missa na Centralidade do Kilamba e participou numa oração do terço no Santuário de Nossa Senhora da Muxima.
O programa inclui ainda uma deslocação à cidade de Saurimo, onde celebrará uma eucaristia e visitará um centro de acolhimento de idosos, regressando depois a Luanda para um encontro com religiosos e catequistas.
Na sua primeira intervenção pública, ontem, em território angolano, o pontífice apelou à promoção da justiça social, ao combate às desigualdades e ao reforço da solidariedade.
Num encontro com membros do Governo, corpo diplomático e representantes da sociedade civil, orientado pelo Presidente João Lourenço, destacou a importância de colocar o bem comum acima de interesses particulares.
O Papa descreveu Angola como um “mosaico muito colorido” e incentivou os líderes a valorizarem a diversidade do país, respeitando as diferenças e promovendo o diálogo como ferramenta essencial para a resolução de conflitos.
Na sua mensagem, sublinhou ainda que a alegria e a esperança são forças capazes de contrariar a resignação e a fragmentação social, defendendo que a construção de uma sociedade mais justa passa pelo encontro, pela solidariedade e pela valorização da dignidade humana.
A visita termina na terça-feira, com a cerimónia de despedida e partida para a Guiné Equatorial, última etapa da sua deslocação ao continente africano.