Angola inicia veda da sardinha em Maio para proteger recursos marinhos
Angola inicia veda da sardinha em Maio para proteger recursos marinhos
lambula

Angola vai iniciar, a partir de 1 de Maio, a veda da captura da sardinha, conhecida localmente como “lambula”, medida que se prolonga até 30 de Julho e abrange a pesca industrial e semi-industrial, anunciou sábado o director nacional das Pescas, Victor Chilamba.

Segundo o responsável, a proibição temporária tem como objectivo permitir a reprodução das espécies marinhas, protegendo os juvenis e assegurando a sustentabilidade da actividade pesqueira no país.

A par da sardinha, outras espécies também estarão sujeitas a períodos de interdição. A pesca de peixes de fundo, como pescada, corvina e dentex, será proibida entre 1 de Junho e 31 de Agosto, enquanto a captura de carapau ficará suspensa de 1 de Julho a 31 de Agosto.

Durante estes períodos, as embarcações de pesca de cerco e arrasto pelágico deverão interromper ou redireccionar as suas actividades, no âmbito das medidas de conservação.

Victor Chilamba assegurou que as restrições não deverão comprometer o abastecimento do mercado nacional, uma vez que existem reservas suficientes de pescado ao longo da cadeia de distribuição. “O stock existente garante o abastecimento do mercado nacional, evitando situações de escassez”, afirmou.

De acordo com o responsável, essa garantia baseia-se em levantamentos trimestrais realizados pelas províncias, que permitem monitorizar a disponibilidade de pescado no país.

O director nacional destacou ainda a importância do carapau, que representa entre 20% e 25% do volume total de desembarques e é um dos peixes mais consumidos em Angola, justificando uma atenção especial na definição das medidas de gestão.

Os períodos de veda são estabelecidos com base em estudos científicos sobre os ciclos de reprodução e desova das espécies, conduzidos pelo Instituto Nacional de Investigação Pesqueira.

A fiscalização será assegurada pelo Serviço Nacional de Fiscalização Pesqueira e da Aquicultura, em coordenação com órgãos de defesa e segurança, bem como com associações e comunidades piscatórias.

As autoridades alertam que o incumprimento das regras constitui uma infracção grave, sujeita a sanções previstas na lei.

Segundo dados apresentados, o período de veda em 2025 foi sustentado por um stock de cerca de 25.618 toneladas de pescado, um aumento de mais de 20% face a 2024, podendo atingir até 35 mil toneladas em períodos de maior produção.

A costa marítima angolana, com cerca de 1.650 quilómetros ao longo do Oceano Atlântico, estende-se por várias províncias e apresenta elevado potencial pesqueiro, sendo considerada estratégica para a economia e segurança alimentar do país.

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