Casa Militar pondera adiar reforma de generais Fernando Miala e João Serqueira Lourenço
Casa Militar pondera adiar reforma de generais Fernando Miala e João Serqueira Lourenço
Miala e Serqueira 1

O ministro de Estado e chefe da Casa Militar do Presidente da República, general Francisco Pereira Furtado, estará a promover diligências para adiar a passagem à reforma de cerca de 30 oficiais generais das Forças Armadas Angolanas (FAA) que já atingiram o limite legal de idade, entre os quais se destacam Fernando Garcia Miala e João Serqueira Lourenço.

Segundo a legislação angolana, os oficiais generais das FAA devem passar obrigatoriamente à reforma aos 65 anos, podendo, no entanto, manter-se em funções apenas por decisão excepcional do Presidente da República, na qualidade de Comandante-em-Chefe.

Fernando Garcia Miala, nascido a 30 de Julho de 1959, tem actualmente 66 anos, enquanto João Serqueira Lourenço conta 69 anos. Apesar de reunirem condições para a reforma, ambos poderão continuar nos respectivos cargos mediante autorização superior.

Uma reunião do Conselho de Segurança Nacional, inicialmente prevista para 10 de Abril, onde o tema seria analisado, acabou por ser adiada devido aos preparativos da visita do Papa a Luanda. Na altura, fontes indicavam que a questão seria retomada após a deslocação do Sumo Pontífice.

Entretanto, segundo apurações, o general Francisco Pereira Furtado – responsável por submeter o dossiê ao Presidente João Lourenço – defende que o processo de reforma dos oficiais seja adiado para o final do ano ou mesmo para depois do congresso do MPLA, previsto para Dezembro do ano em curso.

Em meios políticos, há também o entendimento de que uma eventual reforma antecipada de Fernando Garcia Miala, antes do congresso partidário, poderia ser interpretada como um sinal de reposicionamento político, colocando-o na disponibilidade para uma eventual participação no xadrez da sucessão presidencial.

Apesar de João Lourenço ainda não ter indicado publicamente um sucessor, vários nomes continuam a ser apontados nos bastidores, entre eles Manuel Homem, o próprio Fernando Garcia Miala, Francisco Pereira Furtado e Eugénio César Laborinho, recentemente reabilitado politicamente.

Entre conselheiros próximos do Presidente prevalece a tese de que o nome do futuro candidato não deve ser anunciado prematuramente, evitando a formação de blocos internos de apoio que possam pressionar João Lourenço a abandonar a liderança do MPLA no congresso de 2026, em favor do candidato às eleições gerais de 2027.

No que diz respeito aos perfis em análise, Fernando Garcia Miala enfrenta limitações estatutárias para disputar a liderança do MPLA, por não reunir os requisitos de militância exigidos, nomeadamente os 15 anos mínimos.

Já Manuel Homem cumpre esse critério, mas não possui carreira militar, o que tem levado apoiantes a defenderem a sua eventual promoção simbólica ao posto de brigadeiro.

Por sua vez, Eugénio César Laborinho apresenta um perfil híbrido, combinando experiência política e percurso ligado às estruturas de segurança do Estado, sendo também militante do MPLA, o que o mantém entre os nomes observados no actual contexto político.

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