Superintendente Guerra envolvido em tráfico ilegal de madeira no Uíge
Superintendente Guerra envolvido em tráfico ilegal de madeira no Uíge
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O inspector provincial da Polícia Nacional no Uíge, superintendente João Manecas Baptista, conhecido por “Guerra”, está a ser acusado de alegadamente facilitar um esquema de tráfico ilegal de madeira na província, apurou o Imparcial Press.

As denúncias indicam que o oficial terá recorrido à sua posição para permitir a circulação de carregamentos de madeira através dos postos de fiscalização, mediante o pagamento de contrapartidas financeiras por operadores do sector madeireiro.

Segundo as acusações, efectivos colocados nos postos de controlo eram instruídos a não inspeccionar determinados camiões, bastando aos motoristas dizer que a carga pertencia ao “Chefe Guerra” para prosseguirem viagem sem qualquer fiscalização.

As alegações referem ainda que o esquema envolvia o transporte de grandes quantidades de madeira extraída na província do Uíge, uma das regiões do país com maior potencial florestal.

É igualmente apontado que o comandante provincial da corporação teria conhecimento da situação, sem, contudo, adoptar medidas para impedir a alegada prática.

As denúncias fazem ainda referência a uma apreensão de madeira efectuada no ano passado pela Polícia Fiscal Aduaneira no posto de controlo do Negage.

Segundo as alegações, a carga estaria ligada ao inspector provincial, facto que terá contribuído para um ambiente de tensão entre a Inspecção Provincial e os efectivos da Polícia Fiscal destacados naquele município.

As acusações surgem num contexto em que Angola mantém em vigor medidas restritivas para proteger o património florestal nacional.

Em 2023, o Executivo suspendeu, por um período de três anos, a exportação de madeira em toro e de outros produtos florestais não transformados, com o objectivo de combater a exploração ilegal, incentivar a indústria nacional de transformação da madeira e reforçar o controlo sobre os recursos florestais.

Apesar destas medidas, a exploração e o transporte clandestino de madeira continuam a representar um dos principais desafios para as autoridades, sobretudo nas províncias do Uíge, Cabinda, Zaire, Moxico, Cuando e Cubango, frequentemente apontadas como zonas críticas para o abate ilegal de espécies florestais.

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