
O antigo secretário-geral do MPLA, Marcolino Moco, negou esta terça-feira qualquer envolvimento numa alegada lista de apoio à candidatura de Higino Carneiro à liderança do partido, classificando a informação como falsa e manipuladora.
Numa declaração pública, Moco reagiu à circulação, nas redes sociais, de uma suposta lista de subscritores da candidatura de Higino Carneiro ao cargo de presidente do MPLA no próximo congresso, na qual o seu nome surge como apoiante.
O antigo dirigente partidário rejeitou categoricamente a informação, sublinhando que deixou de militar no MPLA em 2009.
“Como apoiaria eu qualquer candidato a presidente do MPLA, se não milito nem pago quotas desde 2009?”, questionou, acrescentando que, desde então, tem sido um crítico consistente da linha política seguida pelo partido no poder.
Marcolino Moco, que foi também primeiro-ministro de Angola na década de 1990, afirmou que a inclusão do seu nome na referida lista faz parte de uma estratégia de desinformação, com o objectivo de criar confusão política e alimentar narrativas de alegadas alianças entre figuras historicamente divergentes.
Segundo o próprio, a publicação terá sido inicialmente divulgada a partir de um perfil falso atribuído ao presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, o que, na sua leitura, visa simultaneamente fragilizá-lo politicamente e sugerir uma aproximação entre Higino Carneiro e sectores da oposição.
O antigo secretário-geral criticou ainda o que considera serem práticas recorrentes de manipulação no espaço público angolano, apontando para a existência de estruturas dedicadas à produção de conteúdos destinados a influenciar a opinião pública.
Figura histórica do MPLA, Marcolino Moco afastou-se progressivamente do partido após divergências internas, tornando-se, nos últimos anos, uma das vozes mais críticas do sistema político angolano e da governação.
Chegou a apoiar, numa fase inicial, as reformas anunciadas pelo Presidente João Lourenço, num período que descreveu como uma “primavera” política, mas voltou posteriormente a assumir uma posição crítica.
A negação surge num momento em que se intensificam as movimentações internas no MPLA, tendo em vista o próximo congresso ordinário, previsto para dezembro, onde se admite a possibilidade de múltiplas candidaturas à liderança do partido.