Chefe da Casa Militar exonerado horas após aparecer ao lado de João Lourenço
Chefe da Casa Militar exonerado horas após aparecer ao lado de João Lourenço
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O Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, exonerou hoje o ministro de Estado e chefe da Casa Militar, general Francisco Pereira Furtado, poucas horas após este ter participado numa actividade oficial em Luanda.

A decisão foi anunciada pelo Centro de Imprensa da Presidência da República (CIPRA) cerca de duas horas depois de o general ter acompanhado o chefe de Estado na inauguração do novo Centro de Dados e Cloud do Governo, uma infra-estrutura estratégica localizada entre as centralidades do Camama e do Kilamba, destinada a reforçar a soberania digital e a gestão segura de dados do Estado angolano.

No mesmo dia, o Presidente nomeou para o cargo o então ministro da Defesa Nacional, Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, João Ernesto dos Santos, tendo simultaneamente exonerado este das funções que exercia no sector da Defesa.

A exoneração de Francisco Pereira Furtado surge num contexto marcado por alegações que circulam nas redes sociais, nas quais o general é associado a um suposto caso de homicídio de um cidadão em Luanda.

Na véspera, foi divulgado um comunicado, atribuído ao próprio, no qual desmentia as acusações, classificando-as como infundadas. Até ao momento, as autoridades não confirmaram oficialmente qualquer investigação relacionada com o caso.

General na reforma, Francisco Pereira Furtado era uma das figuras mais influentes da estrutura político-militar angolana. Antes de assumir o cargo de ministro de Estado e chefe da Casa Militar da Presidência, desempenhou funções como chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas (FAA) e foi uma peça central na coordenação das questões de defesa e segurança ao mais alto nível do Executivo.

Com um percurso marcado pela sua ligação histórica às estruturas militares do país, Furtado integrou também o núcleo restrito de conselheiros do Presidente em matérias estratégicas, sendo frequentemente associado à gestão da segurança presidencial e à articulação com os serviços de inteligência.

A substituição ocorre numa altura em que o Executivo angolano tem vindo a reforçar a reorganização interna de sectores-chave da governação, embora não tenham sido avançadas justificações oficiais detalhadas para a exoneração, para além da fórmula habitual de “conveniência de serviço”.

A nomeação de João Ernesto dos Santos “Liberdade”, general e antigo combatente, é interpretada por analistas como uma tentativa de assegurar continuidade na liderança da Casa Militar, num momento considerado sensível em termos políticos e institucionais.

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