Justiça angolana acusada de proteger a empresa Manuel Rosa Business Corporation que burlou mais de 100 investidores
Justiça angolana acusada de proteger a empresa Manuel Rosa Business Corporation que burlou mais de 100 investidores
Manuel Rosa

As autoridades angolanas estão a ser acusadas pelos empresários burlados pela empresa Manuel Rosa Business Corporation de inércia e falta de actuação diante de um esquema fraudulento que lesou mais de uma centena de investidores em Luanda.

Ao Imparcial Press, os denunciantes afirmam que cerca de 103 pessoas investiram milhões de kwanzas num projecto de gestão de motorizadas promovido nas redes sociais, com apoio de influenciadores digitais conhecidos, sem que até agora tenham recuperado os valores aplicados.

Segundo os relatos, a empresa apresentava-se como uma plataforma de investimento rentável, propondo aos clientes a compra de motorizadas avaliadas entre 466 mil e 480 mil kwanzas, prometendo em troca pagamentos mensais fixos.

Os contratos incluíam três modalidades: rendimento de 120 mil kwanzas mensais por seis meses, 100 mil kwanzas durante um ano ou 40 mil kwanzas mensais por um período de dois anos.

Há investidores que afirmam ter adquirido entre cinco e 16 motorizadas, acumulando prejuízos individuais superiores a 10 milhões de kwanzas.

“Somos mais de 100 pessoas afectadas e muitos deixaram de receber desde 2024”, afirmou um dos lesados ao Imparcial Press, que diz ter aderido ao projecto em março de 2025.

Os investidores garantem que já apresentaram participação ao Serviço de Investigação Criminal (SIC) em Luanda e que o processo possui número de registo, mas denunciam ausência de avanços concretos nas investigações.

De acordo com os lesados, todos os escritórios da empresa encontram-se encerrados, enquanto o responsável do projecto, Manuel Rosa, continua a emitir comunicados e promessas de pagamento que nunca são cumpridos.

Os denunciantes afirmam ainda desconhecer o paradeiro do empresário, apesar de este alegar que continua a trabalhar a partir de casa.

Entre os investidores cresce a suspeita de que Manuel Rosa possa beneficiar de protecção de terceiros, devido à falta de medidas mais enérgicas por parte das autoridades.

O caso está a gerar indignação entre os lesados, que acusam as instituições de permitirem a continuidade de esquemas financeiros informais promovidos nas redes sociais sem fiscalização eficaz.

Nos últimos anos, Angola tem assistido ao crescimento de plataformas de investimento informal e esquemas de rendimento rápido, muitos deles divulgados através de figuras públicas digitais, fenómeno que especialistas associam à crise económica, desemprego e procura desesperada por alternativas de rendimento.

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