Governo do Uíge entrega bicicletas a autoridades tradicionais e medida causa indignação
Governo do Uíge entrega bicicletas a autoridades tradicionais e medida causa indignação
sobas uige

A entrega de bicicletas a autoridades tradicionais pelo Governo Provincial do Uíge está a provocar forte reacção popular e uma avalanche de críticas nas redes sociais, depois de os meios terem sido apresentados como solução de mobilidade para os sobas em deslocações às sedes municipais e à capital provincial.

A iniciativa, atribuída ao governo liderado por José Carvalho da Rocha, foi recebida com ironia por moradores, activistas e analistas, que consideram inadequado o tipo de apoio disponibilizado às autoridades tradicionais, sobretudo em zonas marcadas por longas distâncias e estradas degradadas.

Segundo relatos locais, alguns sobas terão de percorrer dezenas de quilómetros para participar em reuniões institucionais, utilizando bicicletas simples, sem mudanças, capacetes ou equipamentos de segurança.

“É ginástica democrática”, comentou, sob anonimato, uma fonte ligada à administração local, numa referência ao esforço físico exigido às autoridades tradicionais.

O caso mais citado envolve o Soba Grande de Ambuila, de 68 anos, que alegadamente terá de percorrer cerca de 87 quilómetros até à cidade do Uíge para participar em encontros oficiais.

Nas redes sociais, multiplicam-se comentários satíricos sobre a medida. O governador provincial passou a ser apelidado por alguns utilizadores de “José Ciclista da Rocha”, enquanto outros questionam a prioridade dada à aquisição de viaturas de luxo para dirigentes públicos em contraste com os meios atribuídos aos representantes tradicionais.

“Se o Estado compra viaturas topo de gama para directores que vivem a poucos quilómetros do gabinete, por que razão os sobas devem deslocar-se de bicicleta por dezenas de quilómetros?”, questionou um morador ouvido pelo Imparcial Press.

Analistas alertam para possíveis impactos simbólicos da medida sobre a imagem das autoridades tradicionais, figuras que continuam a desempenhar papel relevante na mediação comunitária e administração local em várias regiões do país.

“Soba é símbolo de autoridade e representação comunitária. Obrigar essas figuras a percorrer longas distâncias de bicicleta pode ser interpretado como desvalorização institucional”, afirmou o analista político Candeeiro Cuca.

Apesar das críticas, alguns comerciantes locais vêem na iniciativa uma oportunidade económica. Mecânicos e vendedores de peças afirmam esperar aumento da procura por serviços de manutenção de bicicletas nas zonas suburbanas e rurais da província.

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