Tensão no Conselho de Administração do BPC: Cláudio Macedo e Luzolo de Carvalho de costas viradas
Tensão no Conselho de Administração do BPC: Cláudio Macedo e Luzolo de Carvalho de costas viradas
Claudio e Luzolo

Um clima de forte tensão institucional está instalado na liderança do Banco de Poupança e Crédito (BPC), onde o presidente do Conselho de Administração (PCA), Cláudio Pinheiro Pinto Macedo, e o presidente da Comissão Executiva (PCE), Luzolo Adriano Neto Espírito Santo de Carvalho, encontram-se alegadamente “de costas voltadas” devido a divergências sobre a condução da gestão corrente da instituição.

Segundo fontes do Imparcial Press, o mal-estar resulta de alegadas interferências directas do PCA em matérias operacionais e executivas que, nos termos do modelo de governação societária do banco, são da competência da Comissão Executiva liderada por Luzolo de Carvalho.

As mesmas fontes relatam que a relação entre os dois gestores deteriorou-se nos últimos meses, alimentando um ambiente interno de divisão e incerteza dentro da maior instituição bancária pública do país.

“O PCA está constantemente a interferir em matérias de gestão diária, nomeações, orientações operacionais e decisões que pertencem ao pelouro executivo”, referiu uma fonte próxima da administração do banco.

Cláudio Pinheiro Pinto Macedo assumiu a presidência do Conselho de Administração do BPC em Outubro de 2022, no quadro da renovação dos órgãos sociais da instituição, enquanto Luzolo Adriano Neto Espírito Santo de Carvalho foi indicado para liderar a Comissão Executiva.

Na altura, o Banco Nacional de Angola (BNA) considerou que ambos preenchiam os requisitos de idoneidade, experiência e qualificação profissional exigidos para os cargos.

Documentos institucionais do próprio BPC mostram que a estrutura interna do banco estabelece uma separação formal entre as competências do PCA e as áreas de gestão executiva atribuídas ao PCE, incluindo sectores estratégicos como planeamento, tesouraria, estratégia comercial, capital humano e marketing.

Apesar disso, relatos internos apontam para sucessivos conflitos relacionados com exonerações, nomeações e decisões administrativas, num banco que continua a enfrentar fortes desafios financeiros e organizacionais no âmbito do processo de reestruturação iniciado nos últimos anos.

O BPC tem sido alvo de sucessivos programas de racionalização, encerramento de balcões e redução de pessoal, depois de anos marcados por elevados níveis de crédito malparado e fragilidades de gestão.

Entre 2019 e 2021, mais de mil trabalhadores deixaram os quadros da instituição no âmbito do processo de “optimização do capital humano”.

Nos bastidores do sector financeiro, analistas consideram que a actual tensão no topo da administração poderá afectar ainda mais o ambiente interno do banco, numa altura em que a instituição procura recuperar credibilidade junto dos clientes e consolidar o processo de recapitalização conduzido pelo Estado.

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