Procurador Mizalaque acusado de proteger arguido em processo de mais de dois mil milhões de kwanzas
Procurador Mizalaque acusado de proteger arguido em processo de mais de dois mil milhões de kwanzas
Mizalaque

O procurador-geral da República adjunto, Gilberto Mizalaque Balanga Vunge, está a ser acusado de alegadamente proteger um cidadão constituído arguido num processo-crime que corre termos na Procuradoria-Geral da República (PGR), relacionado com prejuízos superiores a dois mil milhões de kwanzas na sociedade comercial EDUGEST – Prestação de Serviços, Lda.

As acusações foram feitas por Luís António Coimbra, sócio da empresa, que denuncia supostas interferências e influências indevidas no processo envolvendo Jaime Sérgio Fitas da Graça.

Segundo o denunciante, Jaime Sérgio Fitas da Graça é suspeito da prática de vários crimes de natureza patrimonial e societária, entre os quais alegado furto e desvio de mais de 500 milhões de kwanzas, abuso de confiança, infidelidade patrimonial, falsificação de documentos, movimentações bancárias irregulares e desobediência a decisões judiciais.

Em declarações tornadas públicas, Luís António Coimbra afirma que o arguido estaria alegadamente a beneficiar de “protecção institucional” de figuras ligadas à PGR, apontando directamente o nome do procurador-geral adjunto Gilberto Mizalaque Balanga Vunge.

“O próprio arguido dizia em várias ocasiões que ninguém lhe toca porque o procurador Mizalaque é meu amigo”, declarou o sócio da EDUGEST, acrescentando que a esposa de Jaime Sérgio Fitas da Graça “gabava-se frequentemente” de possuir protecção do referido magistrado.

O denunciante sustenta ainda existirem indícios de que o processo-crime possa ter sido alvo de avocação superior, situação que, segundo afirma, está a gerar receio e insegurança entre os sócios da empresa e demais interessados no desfecho judicial do caso.

As preocupações agravaram-se depois de Luís António Coimbra alegadamente ter recebido chamadas telefónicas intimidatórias provenientes de números desconhecidos, no passado dia 8 de Maio.

“Senhor Luís, aconselho-o a retirar a queixa, porque se o Jaime não sair, você vai sofrer consequências graves, porque um dos procuradores máximos é nosso”, relatou o denunciante sobre uma das mensagens recebidas por telefone.

Face à situação, os responsáveis da EDUGEST afirmam temer pela segurança pessoal, pela integridade do processo judicial e pela eventual existência de influências externas susceptíveis de comprometer a imparcialidade das investigações.

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