
Um grupo de militantes do MPLA manifestou-se contra a anunciada recandidatura do presidente do partido, João Lourenço, à liderança da formação política no próximo congresso ordinário, defendendo maior abertura democrática interna e liberdade na escolha do futuro líder do partido e cabeça-de-lista às eleições gerais de 2027.
Em mensagens e posicionamentos que circulam entre estruturas partidárias e redes sociais, os militantes alertam para aquilo que consideram ser uma tentativa de imposição de uma sucessão política controlada pela actual direcção do partido.
“A recandidatura de João Manuel Gonçalves Lourenço no congresso do MPLA não é apenas um assunto interno, é uma questão que toca directamente na credibilidade da nossa política”, refere um dos posicionamentos tornados públicos.
Os críticos defendem que Angola necessita de “renovação”, com “novos rostos, novas ideias e novas soluções”, considerando que a continuidade da actual liderança pode aprofundar o desgaste político do partido num contexto marcado por dificuldades económicas e sociais.
“Insistir na continuidade, num momento em que o país enfrenta dificuldades profundas, levanta uma pergunta inevitável: estamos a avançar ou apenas a repetir o mesmo ciclo?”, questionam os militantes.
A contestação surge numa altura particularmente sensível para o MPLA, depois de João Lourenço ter anunciado a intenção de recandidatar-se à presidência do partido, apesar de estar constitucionalmente impedido de voltar a concorrer à Presidência da República em 2027, após cumprir dois mandatos consecutivos como chefe de Estado.
Neste contexto, sectores internos do partido receiam que a permanência de João Lourenço na liderança do MPLA possa permitir-lhe controlar directamente o processo de escolha do futuro candidato presidencial do partido, numa altura em que começam igualmente a surgir movimentações em torno de possíveis alternativas internas, entre elas Higino Carneiro, António Venâncio, José Carlos de Almeida e Irene Neto.
Os militantes apelam ainda ao respeito pela liberdade de escolha e pelo debate interno sem perseguições, ameaças ou campanhas de difamação entre camaradas.
“Não podemos admitir discursos de intolerância, insultos, ameaças, manipulações ou campanhas de difamação. Nenhuma liderança se constrói sobre a destruição moral dos outros camaradas”, refere outro excerto do posicionamento.
Os signatários defendem igualmente que a direcção do MPLA deve actuar “com firmeza, responsabilidade, equilíbrio e imparcialidade” para impedir divisões internas e garantir a estabilidade e a credibilidade do partido.
“A liberdade de apoiar um candidato não pode servir de justificação para destruir a imagem do partido ou criar fracturas internas”, sublinham.
Apesar das críticas, os militantes insistem na necessidade de preservar a unidade partidária, defendendo que o MPLA “é maior do que qualquer interesse individual” e que deve continuar a afirmar-se como “um espaço de união, diálogo e respeito institucional”.
O próximo congresso ordinário do MPLA, previsto para Dezembro, deverá assumir um carácter decisivo para o futuro político de Angola, numa altura em que o partido no poder enfrenta uma das mais delicadas disputas internas dos últimos anos.