
Seis forças políticas angolanas anunciaram a criação de equipas técnicas conjuntas e a definição de uma estratégia comum com vista à alternância política nas eleições gerais de 2027, no quadro da denominada “Unidade para a Alternância Democrática”.
Em comunicado conjunto divulgado na última sexta-feira, o Bloco Democrático, a FNLA, o PDP-ANA, o PNSA, a RENOVA Angola e o PPA informaram ter realizado, em Luanda, um encontro de alto nível no âmbito da terceira fase dos contactos políticos visando uma plataforma de convergência da oposição.
Segundo a nota enviada à redacção do Imparcial Press, o encontro decorreu na sede nacional do Bloco Democrático e teve como principal objectivo operacionalizar os mecanismos técnicos e políticos para a construção de uma frente unida nas eleições de 2027.
As formações políticas anunciaram a constituição de grupos de trabalho encarregues da harmonização documental e jurídica do processo de unidade, com o objectivo de assegurar conformidade com a legislação angolana, incluindo a Lei dos Partidos Políticos e a Lei Eleitoral.
Os partidos decidiram igualmente cooperar em actividades políticas conjuntas e iniciar reflexões para a realização de uma Conferência Nacional sobre o Processo Eleitoral, iniciativa destinada, segundo os promotores, à defesa da transparência eleitoral e da “vontade soberana do povo angolano”.
No comunicado, as seis forças políticas sublinham que a experiência eleitoral de 2022 demonstrou que “a convergência entre partidos políticos e sociedade civil é o único caminho” para alcançar a mudança política e institucional em Angola.
Os subscritores defendem ainda a preservação do chamado “espírito FPU”, numa referência à Frente Patriótica Unida, plataforma informal de cooperação entre partidos da oposição e organizações da sociedade civil criada antes das eleições gerais de 2022.
A iniciativa surge numa altura em que vários sectores políticos e cívicos angolanos intensificam contactos para definir estratégias eleitorais visando as eleições gerais previstas para 2027, num contexto marcado por críticas recorrentes da oposição sobre transparência eleitoral, composição dos órgãos eleitorais e acesso equitativo aos meios públicos.
As forças políticas envolvidas afirmaram manter um “compromisso inabalável” com a construção de uma alternativa política em Angola e defenderam que a união da oposição constitui “instrumento fundamental” para garantir a alternância democrática no país.
O MPLA governa Angola desde a independência, em 1975, tendo vencido todas as eleições gerais realizadas no país. Nas eleições de 2022, a oposição reduziu significativamente a vantagem parlamentar do partido no poder, alimentando debates sobre novas plataformas de convergência política para o próximo ciclo eleitoral.