Administradora de Nambuangongo ameaça processar dirigente da UNITA por alegada difamação
Administradora de Nambuangongo ameaça processar dirigente da UNITA por alegada difamação
moniz alfredo

A administradora municipal de Nambuangongo, na província do Bengo, Deolinda Manuel João, ameaçou recorrer aos tribunais contra o secretário provincial da UNITA no Bengo, Moniz Alfredo, acusando-o de difamação e calúnia, na sequência de declarações sobre o alegado envolvimento de pessoas ligadas à administração local em actividades de garimpo ilegal de ouro.

Em nota de protesto enviada, na quarta-feira, à redacção do Imparcial Press, a responsável reagiu às declarações feitas no dia 26 de Maio, à Rádio Marginal, pelo dirigente da UNITA, que a terá acusado de ter indivíduos a trabalhar para si em áreas de exploração ilegal de ouro na localidade de Canacassala, município de Nambuangongo.

As acusações surgem dias depois da tragédia registada na mina ilegal de Missaxi, em Canacassala, onde um deslizamento de terras provocou a morte de 29 pessoas, na madrugada de 23 de Maio.

Na nota, Deolinda Manuel João considera as declarações “irresponsáveis, acintosas e maléficas”, afirmando que configuram “claramente difamação e calúnia”.

“Não se compreende que uma pessoa, que se diz responsável, representante de uma instituição partidária, que almeja dirigir os destinos do país, profira tais declarações sem apresentar quaisquer provas materiais”, lê-se no documento.

A administradora acusa ainda o político da oposição de utilizar “a dor alheia” com “máximo desrespeito às vítimas e suas famílias”, sublinhando que o exercício da actividade política deve assentar “na verdade e nos princípios da ética e da moral”.

Deolinda Manuel João afirma reservar-se “ao direito de recorrer aos mecanismos judiciais” para defender o seu “bom nome e honra”, desafiando igualmente o secretário provincial da UNITA a apresentar provas junto dos órgãos competentes.

Tragédia expôs dimensão do garimpo ilegal

O caso ocorre num momento em que a tragédia de Canacassala continua a gerar forte comoção social e debate político em torno do garimpo ilegal em Angola.

O desabamento da mina artesanal ilegal em Missaxi vitimou 29 pessoas, entre elas membros da mesma família, jovens e até um professor, segundo informações das autoridades locais e do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros.

Relatos indicam que a mina atraía dezenas de jovens devido aos rumores de abundância de ouro na região. Fontes locais afirmam que a exploração clandestina se intensificou nos últimos meses, alimentada pela pobreza, desemprego e falta de oportunidades económicas.

Após a tragédia, a Polícia Nacional lançou a operação “Fio de Ouro 2”, que levou ao desmantelamento de várias áreas de garimpo ilegal nos municípios do Ambriz e Nambuangongo, com detenções de dezenas de suspeitos, muitos provenientes da República Democrática do Congo.

As autoridades angolanas anunciaram igualmente a abertura de um inquérito para apurar as circunstâncias do desabamento e possíveis responsabilidades ligadas à actividade mineira ilegal.

A tragédia motivou também reacções de partidos políticos, organizações religiosas e membros da sociedade civil, que apontam a necessidade de maior controlo estatal e políticas públicas voltadas para a juventude e o combate à pobreza.

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