Comunidade angolana critica redução do atendimento no Consulado de Angola em São Paulo
Comunidade angolana critica redução do atendimento no Consulado de Angola em São Paulo
consul stela

Cidadãos angolanos residentes no Brasil estão a manifestar crescente insatisfação com o funcionamento do Consulado-Geral de Angola em São Paulo, denunciando a redução dos horários de atendimento ao público e os elevados custos cobrados pela emissão de documentos consulares.

As críticas visam a gestão da cônsul-geral, Stela Maria da Graça Santana e Sousa Santiago, responsável pela assistência à comunidade angolana residente em São Paulo e em vários estados brasileiros.

Segundo relatos recolhidos pelo Imparcial Press junto de utentes, o consulado passou, desde Abril deste ano, a atender o público apenas às segundas, quartas e sextas-feiras, entre as 09h30 e as 12h00, reduzindo significativamente o período de funcionamento anteriormente praticado.

“Não conheço nenhuma instituição pública que funcione apenas três horas por dia e apenas três vezes por semana para atendimento ao público”, afirmou um membro da comunidade angolana, que pediu anonimato.

A redução do horário está a gerar dificuldades sobretudo para cidadãos que necessitam de renovar documentos de identificação, passaportes e registos consulares, serviços considerados essenciais para a regularização da permanência dos emigrantes angolanos no Brasil.

As reclamações ganham maior relevância porque, segundo consulta efectuada pelo Imparcial Press ao portal oficial do Ministério das Relações Exteriores de Angola, o horário de funcionamento do Consulado-Geral de Angola em São Paulo continua indicado como sendo de segunda a sexta-feira, das 08h30 às 13h00 e das 13h30 às 15h00.

A aparente discrepância entre a informação oficial e os horários actualmente praticados tem levantado dúvidas entre os utentes e alimentado críticas sobre a qualidade dos serviços prestados.

Outro ponto de contestação prende-se com os emolumentos cobrados para emissão de documentos.

De acordo com vários cidadãos ouvidos, a obtenção ou renovação de passaporte pode atingir valores próximos dos 530 reais, equivalentes a cerca de 100 dólares ao câmbio do dia, enquanto o cartão consular custa aproximadamente 250 reais.

Os utentes questionam particularmente a obrigatoriedade do cartão consular, documento exigido para a realização de diversos actos consulares, incluindo pedidos de passaporte e Bilhete de Identidade.

“Sem o cartão consular não é possível tratar outros documentos, o que acaba por aumentar ainda mais os custos para os cidadãos”, referiu um dos denunciantes ao Imparcial Press.

Embora as taxas consulares sejam definidas pelo Estado angolano e aplicadas em toda a rede diplomática, membros da comunidade defendem uma revisão dos custos, argumentando que muitos emigrantes enfrentam dificuldades económicas e dependem dos serviços consulares para regularizar a sua situação documental.

O descontentamento surge numa altura em que cresce o número de angolanos residentes no Brasil, país que continua a ser um dos principais destinos da diáspora angolana para fins de estudo, trabalho e negócios.

O Consulado-Geral de Angola em São Paulo desempenha um papel estratégico na assistência à comunidade emigrante, sendo igualmente responsável pela promoção das relações económicas, culturais e institucionais entre Angola e o Brasil.

Compartilhar:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
error: Conteúdo protegido