Eleições gerais de 2027: Presidência em negociações com a israelita Team Jorge
Eleições gerais de 2027: Presidência em negociações com a israelita Team Jorge
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A poucos meses da realização do IX Congresso Ordinário do MPLA e a mais de um ano das eleições gerais previstas para 2027, surgem alegações de que o partido no poder estará a procurar reforçar a sua estratégia de comunicação política através de consultoras internacionais especializadas em marketing político e influência digital.

Fontes do Imparcial Press afirmam que a direcção do MPLA, liderada pelo Presidente João Lourenço, terá iniciado contactos com a famigerada empresa israelita Team Jorge, estrutura que ganhou notoriedade internacional após investigações jornalísticas associarem o seu nome a operações de influência política e campanhas de desinformação em vários países.

Segundo as mesmas fontes, as negociações visam a prestação de serviços de comunicação política e gestão de imagem, num contexto marcado pelo agravamento do custo de vida e pelo desgaste da popularidade do Presidente João Lourenço e do MPLA junto da opinião pública.

De acordo com as fontes consultadas, os sinais de erosão da base de apoio do partido no poder têm-se tornado mais visíveis desde o início do segundo e último mandato presidencial de João Lourenço, situação que atribuem à implementação considerada insuficiente de políticas sociais e económicas capazes de responder às dificuldades enfrentadas pela população.

As mesmas fontes sustentam ainda que diversas sondagens realizadas nos últimos meses por entidades independentes apontam para um crescimento da oposição, atribuindo à UNITA, liderada por Adalberto Costa Júnior, intenções de voto superiores a 50%, enquanto o MPLA surgiria em segundo lugar, seguido pelo PRA-JA Servir Angola, liderado por Abel Chivukuvuku.

“Perante este cenário, o Presidente pretende evitar uma derrota eleitoral que possa comprometer o seu legado político. A Team Jorge teria como missão influenciar a percepção pública sobre a actual popularidade do MPLA e melhorar a sua imagem junto do eleitorado”, afirmam as fontes.

Baixa aceitação no MPLA

Apesar de os principais órgãos do MPLA, nomeadamente o Bureau Político e o Comité Central, terem manifestado apoio à recandidatura de João Lourenço à presidência do partido, vários militantes têm demonstrado reservas quanto a essa posição, considerando que o processo poderá afectar a imagem e a coesão interna da organização.

Em Fevereiro último, o Imparcial Press noticiou que uma sondagem atribuída a uma empresa brasileira teria provocado desconforto nos círculos próximos da Presidência da República ao apontar alegados níveis reduzidos de aceitação popular do Presidente João Lourenço e do MPLA, em contraste com uma suposta elevada popularidade do general Francisco Higino Lopes Carneiro.

Os resultados atribuídos à referida sondagem apontavam para níveis de aceitação inferiores a 10% para o Chefe de Estado, cerca de 11% para o MPLA e aproximadamente 80% para o general Higino Carneiro, antigo governador de Luanda e dirigente histórico do partido.

As mesmas fontes entendem que o actual contexto político poderá explicar o aumento das tensões internas no MPLA e a intensificação das disputas em torno da sucessão e da liderança partidária.

Sobre a Team Jorge

A Team Jorge tornou-se conhecida em 2023, após uma investigação conduzida por um consórcio internacional de jornalistas liderado pela organização Forbidden Stories.

O trabalho revelou a existência de uma rede clandestina especializada em operações de influência política, manipulação de redes sociais e campanhas digitais destinadas a moldar a opinião pública.

De acordo com a investigação, a organização seria liderada por Tal Hanan, antigo membro das forças especiais israelitas, e recorreria a uma plataforma tecnológica denominada AIMS (Advanced Impact Media Solutions), capaz de gerir milhares de perfis falsos em redes sociais para amplificar mensagens, promover narrativas favoráveis a determinados clientes ou desacreditar adversários políticos.

As reportagens internacionais apontam ainda que a estrutura terá participado em dezenas de processos eleitorais em África, América Latina e Europa, combinando operações digitais com actividades de campo, incluindo recolha de informações, monitorização de campanhas e divulgação de conteúdos destinados a influenciar o debate público.

Embora Tal Hanan tenha negado qualquer actividade ilegal, as revelações provocaram controvérsia internacional e reacenderam o debate sobre a utilização de empresas privadas para interferir em processos democráticos.

No caso angolano, os relatos surgem numa fase de crescente movimentação política interna no MPLA, marcada pela preparação do IX Congresso Ordinário, previsto para Dezembro, e pelo início do posicionamento das diferentes correntes para as eleições gerais de 2027.

O analista político Nsolé Pedro considera que, caso se confirmem contactos com estruturas associadas a operações de influência digital, a situação poderá levantar questões sobre transparência, ética política e integridade dos processos eleitorais.

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