
A alegada impugnação da candidatura de João Lourenço à presidência do MPLA está a gerar controvérsia no seio do partido, depois de o semanário Novo Jornal ter noticiado que o general Francisco Higino Carneiro apresentou uma reclamação formal contra o actual líder dos “camaradas”, denunciando alegadas irregularidades no processo interno de candidaturas ao IX Congresso Ordinário.
Contudo, fonte próxima de Higino Carneiro rejeitou categoricamente a informação, classificando-a como “falsa, caluniosa e descabida”, assegurando que o antigo governador de Luanda não impugnou a candidatura de qualquer concorrente à liderança do MPLA.
Em declarações ao Imparcial Press, a mesma fonte afirmou que o pré-candidato está “rigorosamente alinhado com os estatutos, o regulamento eleitoral do IX Congresso e os princípios do partido”, acrescentando que qualquer eventual preocupação relacionada com o processo interno seria tratada exclusivamente nos órgãos competentes da organização.
“A discussão pública de assuntos internos do partido não corresponde à postura do camarada Higino Carneiro. Ele respeita a liderança do partido e sabe que quaisquer reclamações devem seguir os mecanismos previstos nos estatutos e não ser feitas através da imprensa ou das redes sociais”, referiu a fonte.
Segundo os apoiantes do general, a divulgação da alegada impugnação faz parte de uma tentativa de criar instabilidade no processo preparatório do congresso e de afectar a imagem dos pré-candidatos à sucessão partidária.
A mesma fonte garantiu que a equipa de Higino Carneiro continua concentrada na recolha das assinaturas necessárias para formalizar a candidatura à presidência do MPLA, reiterando o compromisso com a unidade e a coesão interna do partido.
A posição contrasta, no entanto, com informações publicadas hoje, sexta-feira, pelo Novo Jornal, segundo as quais o mandatário da candidatura de Higino Carneiro, Matos Mota “Kito”, terá submetido um pedido de impugnação da candidatura de João Lourenço junto da Subcomissão de Candidaturas e, posteriormente, da Comissão Nacional Preparatória do Congresso.
De acordo com o semanário, a reclamação estaria fundamentada em alegadas irregularidades durante a recolha de subscrições, dificuldades no processo de quotização de militantes e denúncias de supostas orientações dadas a dirigentes provinciais para inviabilizar apoios à candidatura do general.
A publicação refere ainda que foi solicitado um processo de auditoria independente aos ficheiros apresentados pela candidatura de João Lourenço, tendo sido anexados documentos considerados como elementos de prova. Segundo o jornal, cópias da reclamação foram igualmente remetidas à Comissão de Disciplina, Ética e Auditoria do MPLA.
Fontes citadas pelo Novo Jornal indicam ainda que, caso a reclamação não obtenha provimento nas instâncias internas do partido, poderá ser ponderado um recurso junto do Tribunal Constitucional.
O episódio surge numa altura em que se intensificam os preparativos para o IX Congresso Ordinário do MPLA, marcado para Dezembro deste ano, e numa fase em que a direcção do partido tem reiterado apoio à recandidatura de João Lourenço à presidência da formação política.