
A nomeação de Jaime Miguel Ferreira Carneiro da Silva para o cargo de Presidente da Comissão Executiva (PCE) da TAAG – Linhas Aéreas de Angola, em substituição de Nelson Pedro Rodrigues de Oliveira, está a suscitar diferentes reacções no seio da transportadora aérea nacional.
Embora a sua ascensão ao cargo fosse considerada previsível por vários quadros da empresa e observadores do sector, a decisão não passou sem reservas. Entre os factores apontados está a proximidade atribuída a Jaime Carneiro ao ministro dos Transportes, Ricardo Viegas D’Abreu, sendo até mesmo conhecido em alguns círculos como “o menino do ministro”.
Fontes do Imparcial Press revelam que em Fevereiro do corrente ano teria sido o próprio Jaime Carneiro quem passou informações a revista Forbes Lusófona, segundo a qual, havia sido nomeado como PCE da TAAG, após confirmação pessoal do ministro, muito antes da proposta ter sido formalmente aprovada pela Assembleia Geral dos Accionistas, respeitando o modelo de nomeação dos órgãos sociais da Companhia, após a transformação da TAAG em Sociedade Anónima (S.A.).
Internamente, por um lado Jaime Carneiro conta com um vasto número de apoiantes e simpatizantes, sobretudo os que fazem parte do pelouro que liderou (comercial) e de outros das demais áreas, influenciados pelas benesses (aumentos salariais fora da grelha salarial aprovada, excessivas viagens em serviço ao exterior com ajudas de custo pagas, almoços em resorts e outras) que Carneiro proporcionou à sua equipa.
Segundo consta, a expectativa é de que sendo o PCE, Jaime Carneiro possa transformar tais benesses em benefícios para todos os trabalhadores.
Porém, outra lado, grupos compostos por trabalhadores mais conservadores, cépticos e reservados observam que tais medidas são financeiramente insustentáveis no médio e longo prazo e que a obtenção de apoio por intermédio destes artifícios tende a gerar rapidamente um efeito contrário no seio dos trabalhadores a medida que se torna impossível garantir uma distribuição geral e equitativa de tais privilégios.
Estes observadores mais ponderados não se demonstram entusiasmado com a possibilidade de surgirem mudanças positivas na gestão da companhia aérea estatal apenas pela nomeação de Jaime Carneiro para o cargo de PCE apontando para o seu fraco desempenho enquanto Administrador Executivo para a área Comercial, um dos pilares fundamentais na arrecadação de receitas da empresa e dinamização da expansão das rotas e satisfação final da experiência do cliente.
Neide Teixeira escapa
A controvérsia intensifica-se no seio dos funcionários com a permanência de Neide do Rosário Pinto Teixeira no cargo de Administradora Executiva responsável pelas áreas Jurídica e de Capital Humano, em meios de diversas polémicas e denúncias de má gestão, nepotismo, perseguição a trabalhadores e outras práticas nocivas ao ambiente e cultura organizacional da TAAG.
Outros dois nomes que surgem no seio das contestações são os dos administradores Iuri Miguel Guerra Neto (área de Operações) e Misayely Celestino Isaac Abias (área de Manutenção e Engenharia).
A entrada de Iuri Neto na TAAG sempre foi contestada desde o início, mesmo na sua qualidade inicial de Administrador Não Executivo, primeiramente pelo facto de o mesmo ter sido parte da empresa (na condição piloto) e ter sido disciplinarmente despedida por infracções consideradas graves e não lhe terem sido reconhecidas valências ou competências adicionais que o qualificassem para o cargo. Passando para o cargo de Administrador Executivo, as críticas e os resultados negativos da sua má gestão apenas agravaram.
Embora se reconheçam em Misayel Abias diversas valências enquanto piloto e comandante, bem como um histórico profissional relevante para o exercício de funções de gestão de topo na Companhia, as críticas incidem sobre a área para a qual o mesmo foi indicado e até agora mantido como responsável (Manutenção e Engenharia), considerando que o seu perfil está melhor alinhado com a área de Operações, actualmente sob a alcançada de Iuri Neto.
Analistas e especialistas do sector, ouvidos sob anonimato convergem na crítica ao modelo de nomeações dos gestores da TAAG, dominado por filiação partidária e ligações familiares.
Segundo dados confirmados, Jaime Carneiro, Nelson Oliveira, Neide Teixeira e Misayely Abias são militantes activos do partido MPLA e Iuri Neto possui histórico familiar ligado ao primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto, através da sua esposa, Maria Eugénia da Silva Neto.
Para os especialistas, este padrão compromete a eficácia da gestão e coloca em risco a própria segurança operacional da companhia.