Estados Unidos e Irão anunciam acordo para pôr fim à guerra e reabrir Estreito de Ormuz
Estados Unidos e Irão anunciam acordo para pôr fim à guerra e reabrir Estreito de Ormuz
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Os Estados Unidos da América e o Irão anunciaram este domingo um acordo para pôr termo ao conflito que opõe os dois países no Médio Oriente, prevendo a cessação das hostilidades, a reabertura do Estreito de Ormuz e o início de negociações destinadas a consolidar um entendimento mais amplo sobre questões de segurança regional e nuclear.

Num comunicado divulgado quase em simultâneo por Washington e Teerão, as partes confirmaram o entendimento alcançado com mediação internacional, enquanto a assinatura formal do acordo está prevista para os próximos dias na Suíça.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que foi alcançado um acordo com o Irão para pôr fim ao conflito que há mais de três meses abala o Médio Oriente, prevendo a cessação das hostilidades, a reabertura do Estreito de Ormuz e o levantamento do bloqueio naval norte-americano.

Apesar do optimismo manifestado por Washington, subsistem dúvidas quanto à posição de Israel, que ainda não assumiu formalmente o compromisso de interromper todas as operações militares na região.

Numa mensagem divulgada através da rede social Truth Social, Trump afirmou que o acordo com a República Islâmica do Irão está “finalizado” e autorizou a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das mais importantes rotas marítimas do comércio mundial de petróleo, bem como o levantamento imediato do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos.

Do lado iraniano, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Kazem Gharibabadi, declarou que o entendimento representa “o fim imediato e definitivo da guerra” e considerou que Teerão alcançou os seus objectivos estratégicos no conflito desencadeado após a ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o país.

O acordo, mediado pelo Paquistão com o apoio do Qatar, deverá ser formalmente assinado na próxima sexta-feira, na Suíça. O entendimento prevê uma cessação imediata das operações militares em todas as frentes e abre um período de negociações de 60 dias para discutir questões mais complexas, incluindo o programa nuclear iraniano e o eventual levantamento de sanções internacionais.

A notícia foi recebida positivamente pelos mercados internacionais, com os preços do petróleo a registarem uma descida significativa, reflectindo as expectativas de normalização do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de um quinto do petróleo consumido mundialmente.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, saudou o entendimento, classificando-o como “uma etapa crucial” para uma solução pacífica do conflito. Também a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou a importância da reabertura da rota marítima para a estabilidade económica global.

Israel mantém posição cautelosa

Apesar do anúncio do acordo, a posição israelita continua a suscitar interrogações. O Governo de Israel não participou directamente nas negociações entre Washington e Teerão e tem manifestado reservas quanto à inclusão da frente libanesa no cessar-fogo.

Segundo diversas fontes internacionais, Israel insiste que qualquer solução duradoura deve garantir o fim das capacidades nucleares militares iranianas e limitar o apoio de Teerão a grupos armados aliados na região, como o Hezbollah, no Líbano.

As autoridades israelitas consideram que vários dos objectivos estratégicos da guerra ainda não foram plenamente alcançados.

Nos últimos dias, forças israelitas continuaram a realizar operações militares contra posições do Hezbollah em território libanês, mesmo durante as negociações conduzidas pelos mediadores internacionais. Essa postura tem alimentado dúvidas sobre a capacidade de implementação integral do acordo anunciado por Trump.

Questões por resolver

Embora o entendimento seja considerado o avanço diplomático mais significativo desde o início da guerra, especialistas alertam que vários dos pontos centrais permanecem por negociar.

Entre os temas ainda pendentes destacam-se o futuro do programa nuclear iraniano, o destino das reservas de urânio enriquecido, o levantamento de sanções económicas e os mecanismos de verificação internacional. Estas matérias deverão ser discutidas durante os próximos dois meses de negociações.

O conflito teve início em Fevereiro deste ano, após ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra alvos estratégicos iranianos, numa ofensiva que alterou profundamente o equilíbrio geopolítico no Médio Oriente e provocou forte instabilidade nos mercados energéticos globais.

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