Pré-candidato à liderança do MPLA critica apagamento da figura de José Eduardo dos Santos
Pré-candidato à liderança do MPLA critica apagamento da figura de José Eduardo dos Santos
Jl e JES

O pré-candidato à presidência do MPLA, José Carlos de Almeida, manifestou esta semana preocupação com o que considera ser um processo de desvalorização da figura do antigo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, defendendo que o legado do ex-chefe de Estado continua a ocupar um lugar incontornável na história de Angola.

Num texto divulgado nas redes sociais sob o título “Maldade ao Zedu”, José Carlos de Almeida afirmou não compreender várias decisões adoptadas nos últimos anos relativamente à memória institucional de José Eduardo dos Santos, que liderou Angola durante quase quatro décadas.

“A história não se apaga. Os protagonistas da história jamais devem ser ignorados. José Eduardo dos Santos é eterno”, escreveu o político, associando a figura do antigo Presidente à conquista da paz em Angola e ao apoio prestado aos processos de independência de vários países africanos.

Entre as questões levantadas, José Carlos de Almeida destacou a retirada da imagem de José Eduardo dos Santos das notas monetárias nacionais, bem como a remoção de retratos do antigo Presidente das estruturas do MPLA a vários níveis, incluindo comités provinciais, municipais e comunais.

O pré-candidato questionou igualmente a ausência de referências ao antigo chefe de Estado em alguns projectos estruturantes do país, citando o novo Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto, cuja construção teve início durante o mandato de José Eduardo dos Santos.

No texto, o político lamenta ainda a interrupção do programa de construção de mediatecas em várias províncias, uma iniciativa lançada durante a governação do antigo Presidente, e considera incompreensível que o túmulo de José Eduardo dos Santos continue sem acesso público regular para cidadãos angolanos e estrangeiros.

José Carlos de Almeida sustenta que o antigo estadista deve ser reconhecido pelo seu papel na consolidação da paz, na reconstrução nacional e na promoção de infra-estruturas sociais, apesar das críticas que marcaram parte da sua governação.

As declarações surgem num contexto em que o debate sobre o legado político de José Eduardo dos Santos continua a dividir opiniões dentro e fora do MPLA.

Enquanto sectores do partido defendem uma maior valorização do contributo do antigo Presidente para a estabilidade e reconstrução do país, outros consideram necessário um balanço crítico do período em que esteve à frente dos destinos de Angola.

José Eduardo dos Santos governou Angola entre 1979 e 2017 e faleceu em Julho de 2022, em Barcelona, Espanha, aos 79 anos.

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