CIVICOP divulga lista provisória de 33 mulheres vítimas do 27 de Maio e apela a familiares para testes de ADN
CIVICOP divulga lista provisória de 33 mulheres vítimas do 27 de Maio e apela a familiares para testes de ADN
27M

A Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP) divulgou a lista provisória de mulheres identificadas como vítimas dos acontecimentos de 27 de Maio de 1977, apelando aos familiares para colaborarem no processo de recolha de amostras biológicas destinadas a exames de ADN.

Em comunicado, a comissão refere que a recolha de amostras constitui uma etapa essencial para a identificação científica dos restos mortais e a sua posterior entrega às respectivas famílias, no âmbito do processo de reconciliação nacional promovido pelo Estado angolano.

Segundo a CIVICOP, os familiares das vítimas constantes da lista devem dirigir-se ao Laboratório Central de Criminalística, no Bairro Popular, em Luanda, ou às instalações localizadas na Praça Leão XIV, no município do Kilamba, para a recolha das amostras biológicas necessárias aos testes de compatibilidade genética.

A lista agora divulgada inclui 33 mulheres oriundas de várias províncias do país, nomeadamente:

  • Ana Maria da Silva Pinto – Luanda
  • Anabela Vieira Dias da Silva Fernandes – Luanda
  • Angelina Adolfo – Moxico
  • Antónia de Sousa Paim – Benguela
  • Cecília de Jesus Bernardo Mateus – Malanje
  • Deolinda Suzete Catarina Lourenço – Luanda
  • Domingas Felícia – Bié
  • Engrácia Mateus da Silva – Luanda
  • Esperança Dias da Silva – Malanje
  • Fernanda Lourenço da Silva – Luanda
  • Jesuína Bastos Feijó – Luanda
  • Firmina Kuvango – Huambo
  • Isabel Adão da Silva – Luanda
  • Isabel Correia Lisboa Santos – Namibe
  • Isabel Maria dos Santos Pontes – Luanda
  • Isaura Mateus Sebastião – Huíla
  • Josefa do Carmo Narciso da Paixão Franco – Luanda
  • Josefa Sabino – Não indicada
  • Júlia – Malanje
  • Júlia Utete – Moxico
  • Laura de Fátima Silvestre – Cuando Cubango
  • Loide Victória Jorge Tomás – Não indicada
  • Luísa Domingos de Freitas – Malanje
  • Maria Amélia Vasco Brook’s Jesus Madeira – Não indicada
  • Maria Augusta Serafim – Não indicada
  • Maria da Conceição da Silva Marques – Não indicada
  • Maria do Rosário Trindade – Luanda
  • Maricota João Paulo – Luanda
  • Maria Imaculada Martins – Luanda
  • Maria Odete Peres Pinto – Não indicada
  • Marta Cabila – Moxico
  • Mita Van-Dúnem – Luanda
  • Rosalina dos Prazeres Martins – Não indicada
  • Rosa – Luanda

A divulgação surge pouco mais de um mês depois de a CIVICOP ter anunciado a localização de uma vala comum com mais de 500 perfis humanos no denominado Cemitério do 14, em Luanda, descoberta considerada uma das mais significativas no âmbito das investigações sobre os acontecimentos de 27 de Maio de 1977.

Segundo o ministro da Justiça e dos Direitos Humanos e coordenador da comissão, Marcy Lopes, a localização da vala resultou de cerca de cinco anos de pesquisas e trabalhos técnicos realizados com recurso a diferentes meios tecnológicos.

Na sequência da descoberta, as autoridades iniciaram uma campanha nacional de recolha de ADN junto dos familiares das presumíveis vítimas para permitir a identificação dos restos mortais encontrados durante as exumações. A CIVICOP informou anteriormente que os exames laboratoriais visam confirmar identidades e apoiar as famílias no reconhecimento dos seus parentes desaparecidos.

Criada em 2019 pelo Presidente João Lourenço, a CIVICOP tem a missão de localizar, exumar, identificar e entregar às famílias os restos mortais das vítimas dos conflitos políticos ocorridos em Angola entre 11 de Novembro de 1975 e 4 de Abril de 2002.

De acordo com dados anteriormente divulgados pela comissão, desde o início dos trabalhos foram exumados restos mortais em várias províncias do país e emitidas milhares de certidões de óbito relacionadas com desaparecimentos ocorridos durante aquele período.

Os acontecimentos de 27 de Maio de 1977 continuam a ser um dos episódios mais sensíveis da história contemporânea de Angola. A alegada tentativa de golpe de Estado desencadeou uma violenta repressão política que resultou em milhares de detenções, desaparecimentos e mortes, embora o número exacto de vítimas continue por apurar.

Apesar dos avanços registados nos últimos anos, o processo conduzido pela CIVICOP tem sido alvo de críticas por parte de associações de sobreviventes e familiares das vítimas, que reclamam maior transparência nos procedimentos de identificação e exumação.

Ainda assim, representantes de organizações ligadas à memória do 27 de Maio consideraram recentemente a descoberta da vala comum uma etapa importante para o esclarecimento dos factos e para a localização dos desaparecidos.

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