
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, anunciou esta segunda-feira a sua demissão da liderança do Partido Trabalhista, desencadeando o processo de sucessão à frente da formação política que detém a maioria parlamentar e governa o Reino Unido.
Num discurso marcado pela emoção, Starmer afirmou que a decisão foi tomada após um período de reflexão sobre o futuro do partido e do país, sublinhando que todas as decisões adoptadas durante o seu mandato tiveram como prioridade os interesses nacionais.
“Todas as decisões que tomei foram para colocar o país que eu amo em primeiro lugar. É por isso que me vou demitir da liderança do Partido Trabalhista”, declarou.
Apesar do anúncio, Starmer permanecerá no cargo de primeiro-ministro até à escolha do seu sucessor, comprometendo-se a assegurar uma transição de poder “tranquila e ordenada”.
O líder trabalhista informou que solicitará ao Comité Executivo Nacional do partido a definição do calendário eleitoral interno, prevendo a abertura das candidaturas a 9 de Julho e a conclusão do processo antes do regresso do Parlamento após as férias de verão.
Segundo a tradição do sistema parlamentar britânico, o vencedor da disputa interna assumirá automaticamente a chefia do Governo, uma vez que o Partido Trabalhista mantém a maioria na Câmara dos Comuns, sem necessidade de convocação de eleições legislativas antecipadas.
Durante a intervenção, Starmer fez um balanço dos seis anos à frente da formação política, recordando que assumiu a liderança numa fase em que o partido enfrentava dificuldades políticas, financeiras e organizacionais.
“Disseram-me repetidamente que o meu partido estava acabado, que era impossível conquistar uma maioria nas eleições gerais. Hoje deixo um partido preparado para continuar a governar”, afirmou.
O chefe do Governo britânico garantiu ainda que o seu sucessor herdará um país “mais forte” e mais preparado para enfrentar os desafios futuros, nomeadamente nas áreas da economia, dos serviços públicos e da estabilidade política.
A decisão surge numa altura em que Starmer enfrentava crescente contestação interna e uma queda de popularidade refletida em várias sondagens. Os maus resultados registados pelo Partido Trabalhista nas eleições locais e regionais de Maio intensificaram a pressão sobre a sua liderança.
Segundo revelou, o primeiro-ministro informou o Rei Carlos III da sua decisão durante a manhã desta segunda-feira.
Entretanto, o presidente da Câmara de Manchester e recém-eleito deputado, Andy Burnham, tornou-se o primeiro dirigente de relevo a anunciar oficialmente a candidatura à liderança trabalhista.
Numa mensagem publicada na rede social X, Burnham considerou que a decisão de Starmer marca o início de uma nova fase para o partido e para o país.
“O país espera estabilidade, seriedade e um foco contínuo nas questões que mais importam, e é isso que irá obter”, escreveu.
O autarca apontou como prioridades o crescimento económico, a redução do custo de vida, o reforço dos serviços públicos, a habitação e a criação de oportunidades para os jovens.
Para formalizarem as respectivas candidaturas, os potenciais sucessores de Starmer deverão recolher o apoio de pelo menos 81 deputados trabalhistas até 16 de Julho.
A eleição do novo líder do Partido Trabalhista será acompanhada com atenção pelos mercados, pela oposição e pelos parceiros internacionais do Reino Unido, uma vez que determinará quem ocupará o cargo de primeiro-ministro nos próximos anos.