
O embaixador de Angola em Cuba, Carlos de Lemos Sardinha Dias, morreu no domingo, no Panamá, vítima de doença, aos 64 anos, anunciou o Ministério das Relações Exteriores (MIREX), que destacou o percurso do diplomata ao serviço da política externa angolana.
Numa mensagem de condolências assinada pelo ministro das Relações Exteriores, Téte António, o MIREX manifestou “profundo pesar” pelo desaparecimento físico de Carlos Sardinha Dias, considerando a sua morte uma perda para a diplomacia nacional.
“O Ministério das Relações Exteriores curva-se perante a memória deste distinto diplomata, cuja dedicação e profissionalismo marcaram o percurso da diplomacia angolana”, refere a nota.
Carlos Sardinha Dias encontrava-se em funções como embaixador extraordinário e plenipotenciário de Angola acreditado em Cuba, cargo para o qual foi nomeado pelo Presidente da República, João Lourenço, em Janeiro de 2025.
Em Maio do mesmo ano, apresentou as cartas credenciais ao Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, tornando-se um dos representantes angolanos responsáveis pelo reforço das históricas relações entre Luanda e Havana, que este ano assinalam cinco décadas de cooperação diplomática.
Ao longo da sua carreira, desempenhou várias funções de relevo no Ministério das Relações Exteriores, destacando-se o cargo de director de Cooperação Internacional, área na qual coordenou diversos programas de cooperação bilateral e multilateral, incluindo iniciativas no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e das relações estratégicas de Angola com países africanos, latino-americanos e asiáticos.
Antes da sua nomeação para Cuba, exerceu igualmente missões diplomáticas nos Emirados Árabes Unidos e em Singapura, sendo reconhecido entre os seus pares pela experiência acumulada nas áreas da cooperação internacional e da diplomacia económica.
Durante o período em que esteve à frente da missão diplomática em Havana, Carlos Sardinha Dias trabalhou no aprofundamento das relações políticas, económicas, culturais e educacionais entre Angola e Cuba, dois países ligados por uma histórica parceria construída desde a independência angolana em 1975.
Além das funções em Cuba, o diplomata representava também Angola, na qualidade de embaixador não residente, em vários países da América Central e Caraíbas, incluindo El Salvador, Guatemala, Nicarágua, Costa Rica, Panamá e República Dominicana.
Nos últimos meses, participou em diversas iniciativas destinadas ao reforço da cooperação económica entre Angola e Cuba, promovendo oportunidades de investimento, intercâmbio técnico e formação de quadros em sectores como saúde, turismo, agricultura e biotecnologia.
A notícia da sua morte provocou consternação entre diplomatas, funcionários do Ministério das Relações Exteriores e membros da comunidade angolana em Cuba, onde era reconhecido pelo seu empenho na promoção da imagem de Angola e no fortalecimento das relações bilaterais.
Até ao momento, o Ministério das Relações Exteriores não divulgou informações sobre as cerimónias fúnebres nem sobre o eventual repatriamento dos restos mortais do diplomata.