
Um trabalhador angolano de 37 anos morreu na madrugada do último sábado na sequência de um acidente de trabalho ocorrido nas instalações da Companhia de Bioenergia de Angola (Biocom), no município de Cacuso, província de Malanje, após o desabamento de parte da estrutura da unidade industrial.
De acordo com informações do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros, o acidente ocorreu por volta das 23h30, quando parte da estrutura da Caldeira 1 cedeu, atingindo mortalmente o operário.
O corpo foi resgatado pelos efectivos dos Bombeiros numa operação iniciada às 4h50, em coordenação com o Serviço de Investigação Criminal (SIC) e a Polícia Nacional, tendo posteriormente sido encaminhado para a morgue do Hospital Regional de Malanje.
A tragédia volta a colocar sob escrutínio as condições de segurança na maior unidade sucroenergética do país. Trabalhadores e activistas denunciam que acidentes laborais durante as campanhas de safra têm sido recorrentes e defendem uma investigação rigorosa para apurar as circunstâncias do desabamento.
As críticas centram-se na alegada insuficiência de investimentos na manutenção das infra-estruturas industriais, apesar da dimensão económica da empresa, considerada um dos maiores investimentos privados não petrolíferos de Angola. Os denunciantes defendem que, caso sejam confirmadas falhas de manutenção, negligência ou incumprimento das normas de segurança no trabalho, os responsáveis devem ser responsabilizados nos termos da lei.
Na sequência do acidente, foram lançados apelos ao Presidente da República, à Inspecção-Geral do Trabalho, à Procuradoria-Geral da República e às demais autoridades competentes para que seja aberta uma investigação independente e transparente, destinada a esclarecer as causas do desabamento e a prevenir novas tragédias.
A Biocom, instalada no Pólo Agro-Industrial de Capanda, dedica-se à produção integrada de açúcar, etanol e energia eléctrica a partir do bagaço da cana-de-açúcar. A empresa explora uma área superior a 81 mil hectares, dos quais cerca de 49 mil são cultiváveis, possuindo capacidade para processar diariamente aproximadamente 12 mil toneladas de cana.
A produção anual ultrapassa as 100 mil toneladas de açúcar destinadas ao mercado interno, além de cerca de 17 mil metros cúbicos de etanol para as indústrias de bebidas, cosméticos, produtos de limpeza e unidades hospitalares. A empresa produz igualmente energia eléctrica renovável, fornecida à Rede Nacional de Transporte (RNT), contribuindo para o abastecimento de Malanje e de outras localidades da região norte.
Até ao momento, a Biocom não se pronunciou publicamente sobre as causas do acidente nem sobre as alegações relacionadas com as condições de segurança na fábrica.