
O general na reforma Higino Carneiro, candidato à presidência do MPLA, defende, no seu manifesto eleitoral, que o partido deve reconhecer os sinais de desgaste político evidenciados nas eleições gerais de 2022 e adoptar uma estratégia assente na proximidade com os cidadãos para reconquistar a confiança do eleitorado antes do escrutínio de 2027.
No documento, em posse do Imparcial Press, o candidato considera que os resultados das últimas eleições constituíram um “alerta político sério”, destacando a perda da maioria dos votos na província de Luanda, principal centro político, económico e demográfico do país.
Segundo Higino Carneiro, o MPLA não deve encarar esse resultado como uma ameaça, mas sim como uma oportunidade para reflectir, ouvir os cidadãos e corrigir falhas acumuladas ao longo dos anos.
“O MPLA não pode partir para as eleições de 2027 apoiado apenas no peso da sua história, na dimensão da sua estrutura organizativa ou na mobilização de grandes eventos políticos”, sustenta o manifesto, acrescentando que grandes comícios e manifestações de apoio “não constituem, por si só, garantia de vitória nas urnas”.
O candidato defende que o comportamento do eleitorado mudou significativamente, afirmando que o voto é hoje determinado sobretudo pela percepção que os cidadãos têm da sua qualidade de vida, das oportunidades económicas, do funcionamento das instituições públicas e da confiança depositada nos líderes políticos.
Perante este cenário, Higino Carneiro propõe uma profunda reorganização da actuação política do partido, baseada na presença permanente junto das comunidades, na escuta activa das preocupações da população e na capacidade de responder aos problemas concretos dos cidadãos.
No manifesto, o antigo governador de várias províncias e ex-ministro defende que os militantes do MPLA devem reassumir o papel de agentes de transformação social, mantendo uma ligação permanente aos bairros, aldeias, comunas, municípios, universidades e locais de trabalho, em vez de limitarem a sua acção aos períodos eleitorais.
Entre as principais medidas propostas figuram o reforço das estruturas de base do partido, a criação de mecanismos permanentes de auscultação das populações, a valorização da OMA, da JMPLA e das organizações associadas, o investimento na formação política e ética dos militantes e a modernização da comunicação partidária, com especial enfoque nos jovens e no ambiente digital.
Higino Carneiro sustenta igualmente que o MPLA deve demonstrar “maturidade política” para reconhecer que nem todas as decisões tomadas ao longo dos anos produziram os resultados esperados e que existem preocupações legítimas dos cidadãos que exigem respostas.
“Reconhecer dificuldades não é sinal de fraqueza. É sinal de responsabilidade e respeito pelo povo”, refere o documento.
O candidato considera que o principal desafio do partido não será apenas vencer as eleições gerais de 2027, mas “reconquistar a confiança dos cidadãos através do trabalho, da competência, da humildade política e da capacidade efectiva de melhorar a vida das famílias angolanas”.
O manifesto termina com um apelo aos militantes e dirigentes do MPLA para que encarem os próximos anos como uma missão de reconciliação política, aproximação às comunidades e reconstrução da confiança popular.
A divulgação do documento surge no âmbito da corrida à liderança do MPLA, cujo congresso ordinário está previsto para Dezembro deste ano.
Higino Carneiro é um dos candidatos à sucessão de João Lourenço na presidência do partido, num processo interno considerado determinante para a definição da estratégia política do MPLA com vista às eleições gerais de 2027.