Ministério Público pede 18 anos de prisão para russos e acusa-os de financiar terrorismo com 150 mil dólares
Ministério Público pede 18 anos de prisão para russos e acusa-os de financiar terrorismo com 150 mil dólares
russos terroristas

O Ministério Público (MP) pediu a condenação a 18 anos de prisão dos dois cidadãos russos julgados no mediático “caso russos”, sustentando que ambos financiaram actividades terroristas em Angola com mais de 150 mil dólares e integravam uma organização internacional que pretendia criar instabilidade no país e favorecer a chegada da UNITA ao poder nas eleições gerais de 2027.

As alegações finais foram apresentadas na fase conclusiva do julgamento, em que o MP requereu igualmente a expulsão de Angola dos cidadãos russos Igor Ratchin e Lev Lakshtanov, após o cumprimento das respectivas penas de prisão efectiva.

Além dos dois cidadãos russos, o Ministério Público pediu também a condenação dos dois arguidos angolanos envolvidos no processo. Para o jornalista da Televisão Pública de Angola (TPA), Amor Carlos Tomé, a acusação requereu uma pena de 15 anos de prisão e 100 dias de multa.

Já para Francisco Oliveira, secretário para a Mobilização da JURA, organização juvenil da UNITA, conhecido por “Buka Tanda”, o MP pediu uma pena de 10 anos de prisão e 60 dias de multa.

Segundo a acusação, ficou provado durante o julgamento que Igor Ratchin e Lev Lakshtanov pertenciam a uma organização terrorista internacional e tinham como objectivo criar um ambiente de instabilidade política e social em Angola.

O Ministério Público sustenta que os dois cidadãos russos lideravam o grupo e exerceram influência na organização da greve dos taxistas realizada em Julho do ano passado, protesto contra o aumento dos preços dos combustíveis e das tarifas dos transportes públicos que degenerou em actos de violência, vandalismo e provocou 29 mortos.

A acusação acrescenta que, para financiar as alegadas actividades terroristas, os arguidos terão desembolsado mais de 150 mil dólares através da internet.

O MP rejeitou igualmente a versão apresentada pelos cidadãos russos, segundo a qual a sua presença em Angola visava apenas a criação de uma casa de cultura, considerando tratar-se de um argumento sem sustentação.

Por sua vez, os advogados de defesa contestaram as conclusões do Ministério Público, afirmando que a acusação não produziu provas suficientes para sustentar os crimes imputados aos arguidos.

Os causídicos classificaram as alegações como “infantis” e “vergonhosas”, defendendo que não ficou demonstrado qualquer envolvimento dos seus constituintes em actos de terrorismo ou no financiamento de actividades terroristas em território angolano.

A defesa pediu, por isso, a absolvição de todos os arguidos.

Os quatro réus encontram-se detidos desde Agosto de 2025, na sequência das investigações desencadeadas após os protestos associados à greve dos taxistas.

Além do crime de terrorismo, os dois cidadãos russos são acusados de prepararem um alegado golpe de Estado em Angola e de pretenderem assumir o controlo de activos económicos nacionais em troca de apoio a forças da oposição, acusações que sempre negaram ao longo do julgamento.

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