
Munícipes, autoridades tradicionais, membros da sociedade civil e militantes do MPLA no município do Cuilo, província da Lunda-Norte, acusam o ex-administrador municipal, Jacinto Valente, de alegado desvio de um gerador avaliado em 90 milhões de kwanzas e de duas viaturas afectas à Administração Municipal e ao Comité Municipal do partido, exigindo a abertura de uma investigação e a responsabilização do antigo gestor.
Segundo os mesmos, o ex-administrador terá adquirido, com verbas do Programa Integrado de Desenvolvimento Local e Combate à Pobreza (PIDLCP), um gerador destinado a reforçar o fornecimento de energia eléctrica no município.
No entanto, os denunciantes alegam que o equipamento permaneceu no Cuilo durante apenas dois dias, tendo sido posteriormente retirado para um local desconhecido.
De acordo com as mesmas fontes, o município continua a enfrentar graves constrangimentos no abastecimento de energia eléctrica, situação que, dizem, poderia ter sido minimizada caso o gerador permanecesse ao serviço da população.
Os denunciantes afirmam igualmente que, após a sua exoneração, Jacinto Valente terá levado para o município de Cassanje-Calucala a viatura de apoio da Administração Municipal do Cuilo, bem como o veículo afecto ao Comité Municipal do MPLA.
Na perspectiva dos que subscrevem a denúncia, ambos os veículos constituem património público e partidário afecto ao município, pelo que defendem a sua restituição imediata para garantir o funcionamento normal das instituições locais.
Segundo os munícipes, o caso terá sido comunicado à Inspecção-Geral da Administração do Estado (IGAE), que alegadamente realizou diligências no terreno para averiguar os factos.
As mesmas fontes sustentam que as averiguações terão confirmado as irregularidades denunciadas, mas lamentam que, até ao momento, nenhuma medida tenha sido tomada para responsabilizar o ex-administrador ou recuperar os bens em causa.
Os denunciantes alegam ainda que a ausência de uma resposta das autoridades poderá estar relacionada com uma alegada protecção política de que Jacinto Valente beneficiaria junto de figuras influentes do partido e do Governo Provincial da Lunda-Norte. Esta alegação, porém, não foi confirmada de forma independente.
Perante a situação, os munícipes exigem a recuperação imediata do gerador e das viaturas, a sua devolução ao município do Cuilo e o encaminhamento do ex-administrador às autoridades competentes para o apuramento de eventuais responsabilidades civis e criminais, caso as denúncias venham a ser confirmadas.
Os signatários apelam igualmente à intervenção do Governo Provincial da Lunda-Norte, do Serviço de Investigação Criminal (SIC), do Serviço de Inteligência e Segurança do Estado (SINSE), da Inspecção-Geral da Administração do Estado (IGAE) e do Comité Provincial do MPLA para que seja conduzida uma investigação e sejam adoptadas as medidas previstas na lei.
Até ao momento, o Imparcial Press não conseguiu obter uma reacção do ex-administrador Jacinto Valente sobre as acusações. O jornal mantém total disponibilidade para publicar a sua versão dos factos, em respeito pelo princípio do contraditório.