
O Banco Nacional de Angola (BNA) e o Banco Central da República Democrática do Congo (RDC) assinaram, esta quarta-feira, em Luanda, um memorando de entendimento destinado a facilitar os pagamentos transfronteiriços entre os dois países, permitindo que as transacções comerciais possam passar a ser efectuadas em kwanzas e francos congoleses, reduzindo a dependência de moedas de terceiros.
O acordo foi assinado pelo governador do BNA, Manuel Tiago Dias, e pelo governador do Banco Central da RDC, André Wameso Nkualoloki, e estabelece um quadro de cooperação institucional para promover a integração financeira bilateral, reforçar a interoperabilidade dos sistemas de pagamento, facilitar as operações comerciais e prevenir eventuais crises bancárias com impacto nos dois países.
Na ocasião, Manuel Tiago Dias anunciou que o kwanza passa, ainda este mês, a integrar o Sistema Integrado Regional de Liquidação Electrónica (SIRESS), plataforma de pagamentos da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), passo que permitirá a sua utilização em operações transfronteiriças.
Segundo o responsável, a implementação deste mecanismo terá início nas relações comerciais entre Angola e a República Democrática do Congo.
“Este mês, o kwanza passa a integrar o sistema de liquidação e compensação da SADC e pensamos que, do lado da RDC, tudo está preparado para que esta pretensão também se concretize”, afirmou.
O governador do BNA explicou que o memorando estabelece um quadro abrangente de cooperação baseado na troca de informações e experiências, assistência técnica e integração dos sistemas de pagamento, criando condições para operações financeiras mais rápidas e eficientes.
De acordo com o Manuel Tiago Dias, a iniciativa permitirá reduzir os custos e o tempo das transacções, promover a formalização dos fluxos financeiros e impulsionar as trocas comerciais entre os dois países.
Por sua vez, o governador do Banco Central da RDC considerou que o acordo representa um instrumento estratégico para acompanhar o crescimento das relações económicas bilaterais.
“Este protocolo veio facilitar as trocas comerciais entre os nossos povos. Sabemos que existe um grande projecto, que é o Corredor do Lobito, e os bancos centrais anteciparam-se ao crescimento económico que se avizinha. É uma mais-valia preparar desde já os mecanismos financeiros que irão suportar esse aumento das transacções”, afirmou André Wameso Nkualoloki.
As autoridades dos dois países esperam que o memorando contribua para aumentar a utilização das moedas nacionais nas operações comerciais, simplificando os pagamentos e reduzindo a necessidade de recorrer ao dólar norte-americano ou a outras divisas internacionais.
Angola e a República Democrática do Congo mantêm um intenso intercâmbio comercial, sobretudo nas zonas fronteiriças, onde diariamente são realizadas milhares de operações de compra e venda de bens. Grande parte dessas transacções continua, contudo, a decorrer de forma informal.
A assinatura do memorando insere-se no processo de reforço da integração financeira regional promovido pela SADC e deverá preparar os sistemas bancários de ambos os países para o aumento esperado do comércio e do investimento, impulsionado por projectos estruturantes como o Corredor do Lobito, considerado uma das principais infra-estruturas logísticas para o desenvolvimento económico da região.