Taxa de fecundidade em Angola cai de 6,2 para 4,8 filhos por mulher em oito anos
Taxa de fecundidade em Angola cai de 6,2 para 4,8 filhos por mulher em oito anos
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Angola reduziu a taxa de fecundidade de 6,2 filhos por mulher, registada em 2016, para 4,8 em 2024, anunciou esta quarta-feira, em Luanda, o secretário de Estado do Planeamento, Luís Epalanga, durante a abertura das comemorações do Dia Mundial da População, assinalado a 11 de Julho.

O governante atribuiu a redução do número médio de filhos por mulher à expansão da escolarização feminina, ao processo de urbanização, à melhoria dos serviços de saúde e ao aumento do acesso voluntário aos serviços de planeamento familiar.

Segundo Luís Epalanga, a diminuição da fecundidade representa uma etapa natural da transição demográfica e cria condições para reforçar o investimento na educação, saúde e bem-estar das crianças, ao mesmo tempo que reduz a razão de dependência e aumenta o potencial da população economicamente activa para impulsionar o crescimento económico sustentável.

O secretário de Estado defendeu que o investimento na saúde sexual e reprodutiva, o combate à gravidez precoce, a redução da mortalidade materno-infantil e a garantia do acesso universal aos serviços de saúde constituem prioridades estratégicas para o desenvolvimento do país, com especial incidência sobre a juventude e as raparigas.

Durante a cerimónia, destacou que o Executivo tem vindo a consolidar diversos instrumentos de planeamento, entre os quais a Estratégia de Longo Prazo Angola 2050, o Plano de Desenvolvimento Nacional 2023-2027, a Agenda 2030 das Nações Unidas, a Agenda 2063 da União Africana e os compromissos assumidos no âmbito da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, com o objectivo de fortalecer o capital humano.

Luís Epalanga referiu igualmente que programas como o Plano Nacional da Juventude, a Agenda Nacional de Emprego, o Fundo Nacional de Emprego, o Programa JOB, o Projecto Jovem Mais e o Projecto CRESCER procuram aumentar a empregabilidade, promover o empreendedorismo e facilitar a inserção dos jovens no mercado de trabalho.

O responsável salientou ainda que a estabilidade macroeconómica é um factor determinante para o aproveitamento do chamado dividendo demográfico, sublinhando que Angola registou, nos últimos anos, um crescimento médio do Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de 4%, acompanhado por uma desaceleração da inflação e da dívida pública.

Apesar dos progressos registados, reconheceu que o país continua a enfrentar desafios na transformação do potencial humano em capital produtivo, defendendo o reforço dos investimentos na educação, saúde, formação profissional, igualdade de género e criação de emprego.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), Angola continua a ser um dos países mais jovens do mundo, com uma idade média inferior a 17 anos e uma população estimada em mais de 38 milhões de habitantes.

Especialistas consideram que a redução gradual da fecundidade acompanha a tendência observada em vários países africanos, embora o indicador angolano permaneça acima da média mundial.

O Dia Mundial da População é celebrado anualmente a 11 de Julho por iniciativa das Nações Unidas, com o objectivo de sensibilizar para os desafios do crescimento populacional, do desenvolvimento humano e dos direitos reprodutivos. A data assinala simbolicamente o dia em que a população mundial atingiu cinco mil milhões de habitantes, em 1987.

A taxa de fecundidade corresponde ao número médio de filhos que uma mulher tem ao longo da sua vida reprodutiva. Em Angola, este indicador tem vindo a registar uma redução gradual nas últimas décadas, acompanhando a tendência observada em vários países africanos.

Apesar desta evolução, o país continua entre os que apresentam níveis de fecundidade mais elevados do continente, reflexo de factores como a estrutura jovem da população, as desigualdades no acesso aos serviços de saúde e educação e as diferenças entre as zonas urbanas e rurais.

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