BNA autoriza bancos comerciais a usar yuan nas reservas obrigatórias
BNA autoriza bancos comerciais a usar yuan nas reservas obrigatórias
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O Banco Nacional de Angola (BNA) passou a autorizar os bancos comerciais a incluírem o Renminbi (CNY), moeda oficial da China, nas Reservas Obrigatórias em Moeda Estrangeira (ME), numa medida que reforça a diversificação cambial do sistema financeiro angolano e acompanha a crescente utilização da moeda chinesa nas transacções internacionais.

A decisão consta de uma directiva do banco central, em vigor desde 6 de Julho, que altera os procedimentos relativos à constituição e desmobilização das Reservas Obrigatórias em Moeda Estrangeira e revoga a regulamentação anterior.

Com a nova orientação, as instituições financeiras passam a poder constituir as reservas obrigatórias em dólar norte-americano (USD), euro (EUR), rand sul-africano (ZAR) e, pela primeira vez, em Renminbi (CNY).

O BNA não detalha, na directiva, os fundamentos da inclusão da moeda chinesa, mas a medida surge numa altura em que a China continua a afirmar-se como um dos principais parceiros comerciais e financeiros de Angola.

A autorização poderá facilitar operações cambiais ligadas ao comércio bilateral, sobretudo nas importações provenientes da China, além de reduzir a dependência exclusiva das moedas tradicionalmente utilizadas nas reservas externas.

Internacionalização do yuan

A decisão do banco central angolano acompanha uma tendência observada em vários países africanos, que têm vindo a aumentar a utilização do yuan nas relações comerciais e financeiras com Pequim.

Nos últimos anos, bancos centrais de países como Nigéria, África do Sul, Egipto, Gana e Zâmbia adoptaram mecanismos que permitem o recurso à moeda chinesa em reservas internacionais, operações cambiais ou sistemas de liquidação, impulsionados pelo aumento do comércio com a segunda maior economia mundial.

A internacionalização do yuan constitui uma estratégia assumida pelas autoridades chinesas para reduzir a dependência do dólar nas transacções internacionais.

Para esse efeito, Pequim tem celebrado acordos de cooperação monetária e de liquidação directa com diversos bancos centrais, incluindo em África.

Segundo dados oficiais chineses, a China mantém-se como o maior parceiro comercial do continente africano há mais de uma década, com trocas comerciais que ultrapassam os 280 mil milhões de dólares por ano.

No caso de Angola, a China continua a ser um dos principais destinos das exportações de petróleo angolano e uma das maiores origens das importações, além de desempenhar um papel relevante no financiamento de projectos de infra-estruturas.

Analistas consideram que a possibilidade de utilização do yuan nas reservas obrigatórias poderá contribuir para reduzir custos de conversão cambial nas operações entre Angola e a China, embora o dólar continue a dominar as reservas internacionais e o comércio global.

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