
O Departamento de Investigação de Ilícitos Penais (DIIP) de Luanda anunciou recentemente o desmantelamento parcial de uma associação criminosa suspeita de vários roubos qualificados contra viaturas de transporte de valores, incluindo o assalto a um carro-forte ocorrido em Junho, no município do Cazenga, de onde foram subtraídos cerca de 120 milhões de kwanzas.
Segundo o portal Na Mira do Crime, o DIIP informou que, no cumprimento de um mandado de busca, revista e apreensão, foram detidos dois cidadãos nacionais no município da Camama, identificados por Carlos António Manuel, conhecido por “Lito LT”, de 26 anos, e Anádio Fortunato Delgado, conhecido por “Lassperron”, de 30 anos.
De acordo com a investigação, Carlos António Manuel apresentava-se alegadamente como efectivo do Serviço de Investigação Criminal (SIC), ostentando a patente de segundo subchefe e afirmando integrar a Direcção de Operações Centrais daquela instituição, circunstância que está igualmente a ser investigada.
O terceiro suspeito, também identificado como Anádio Fortunato Delgado, filho do segundo comandante provincial da Polícia Nacional em Malanje, subcomissário Diógenes Delgado, já se encontrava detido no âmbito do mesmo processo.
Conforme o DIIP, os três fazem parte de uma organização criminosa especializada em ataques a viaturas de transporte de valores, actuando de forma coordenada e com funções previamente distribuídas.
As investigações apontam que, na tarde de 11 de Junho, o grupo (constituído por Lara, Lasperrony, Ribeiro e Berimbaue Luís Ponta) cercou um carro-forte na Avenida Deolinda Rodrigues, no município do Cazenga, efectuou vários disparos contra a viatura e apoderou-se de aproximadamente 120 milhões de kwanzas.
As autoridades indicam que o alegado mentor da operação, identificado apenas por “Ribeiro”, continua em fuga. Conforme a investigação, terá sido ele quem mobilizou os restantes elementos depois de receber informações privilegiadas sobre o transporte do dinheiro, alegadamente fornecidas por um indivíduo actualmente detido na Cadeia de Comarca de Viana.
O grupo terá acompanhado a viatura de transporte de valores no dia anterior ao assalto e sabia previamente que apenas três seguranças integravam a equipa responsável pela escolta do numerário.
Durante a operação policial foram apreendidas uma arma de fogo e duas viaturas. Um dos detidos admitiu, segundo o DIIP, que os automóveis foram adquiridos com dinheiro proveniente dos assaltos praticados pelo grupo.
A investigação apurou ainda que uma das viaturas apreendidas era utilizada numa plataforma digital de transporte individual de passageiros, situação que será alvo de averiguações para determinar se o veículo foi usado igualmente na actividade criminosa.
O DIIP informou que prosseguem diligências para localizar os restantes integrantes da associação criminosa, bem como apreender mais duas viaturas e outros bens alegadamente adquiridos com os proveitos dos roubos.
A corporação afirma que a operação se insere na estratégia de combate ao crime organizado e visa responsabilizar os autores dos assaltos, recuperar património obtido de forma ilícita e reforçar a segurança pública.