
Angola integra o grupo dos cinco países africanos que mais progrediram no combate à corrupção na última década, segundo as conclusões preliminares do Índice Ibrahim de Governação Africana (IIAG) 2026, divulgadas pela Fundação Mo Ibrahim, que, apesar dos avanços registados, alerta para a persistência de baixos níveis de confiança dos cidadãos nas políticas públicas destinadas a prevenir e combater este fenómeno.
O relatório, que analisa a evolução dos indicadores de governação entre 2016 e 2025, coloca Angola na 29.ª posição entre os 54 países avaliados no indicador de combate à corrupção, figurando ao lado das Ilhas Seychelles, Chade, Somália e Togo entre os Estados que mais melhoraram neste domínio ao longo dos últimos dez anos.
Entre os países com maior progresso, as Ilhas Seychelles mantêm a liderança continental, com 76,6 pontos, em igualdade com o Ruanda, enquanto a Somália, apesar de continuar entre os países com pior classificação, registou uma das evoluções mais significativas no período analisado.
À escala continental, o estudo revela uma recuperação gradual após vários anos de estagnação. A pontuação média de África no indicador de combate à corrupção passou de 38,6 pontos, em 2016, para 39,1 pontos, em 2025, uma melhoria considerada modesta, mas suficiente para inverter a tendência de degradação observada nos anos anteriores.
Apesar da evolução dos indicadores, a Fundação Mo Ibrahim sublinha que a percepção dos cidadãos permanece pouco favorável. Em vários países africanos, incluindo Angola, a confiança nas medidas adoptadas pelos governos para prevenir e combater a corrupção continua reduzida, indicando que os progressos institucionais ainda não produziram um impacto equivalente na opinião pública.
O relatório identifica igualmente Comores, Libéria, África do Sul, Níger e Botswana entre os países que mais recuaram desde 2016.
Ao nível regional, a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), da qual Angola faz parte, apresenta a melhor pontuação média no combate à corrupção, com 44,5 pontos, enquanto a Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD) regista a média mais baixa, de 26,9 pontos. A União do Magrebe Árabe (UMA), por seu lado, foi o bloco regional que mais evoluiu na última década.
De realçar que os resultados agora divulgados reforçam uma tendência já assinalada nas edições anteriores do índice. No IIAG 2024, que avaliava o período entre 2014 e 2023, Angola já surgia entre os países africanos com maior melhoria em matéria de governação, destacando-se sobretudo na componente de responsabilização e combate à corrupção, ainda que continuasse a ocupar uma posição intermédia no ranking geral do continente.
Na mesma edição, a Fundação Mo Ibrahim alertava que os avanços registados em áreas como o desenvolvimento humano e económico estavam a ser contrariados pela deterioração dos indicadores relacionados com a segurança e a participação política.
A instituição recorda, contudo, que as classificações das diferentes edições do índice não devem ser comparadas directamente, uma vez que a metodologia é actualizada e os dados são recalculados em cada publicação, recomendando que a análise seja feita com base nas tendências de evolução apresentadas em cada relatório.