
“A Banda” é uma canção de Chico Buarque. Um clássico da música brasileira. A história é simples: Uma banda passa pela rua. As pessoas param. A tristeza dá lugar à alegria. A música muda o ambiente. Por instantes. A banda representa esperança. Liberdade. A força transformadora da arte. Foi criada num período de tensão política no Brasil. Mas uma banda precisa de harmonia. Precisa de liderança. Precisa que os músicos saibam tocar juntos.
Mas voltemos à outra banda. A banda política do PRA-JA Servir Angola e do seu líder. Abel Chivukuvuku tem uma longa caminhada política. Foi “maninho” da UNITA. Cresceu politicamente nesse espaço.
Depois abriu novos caminhos. Criou a CASA-CE. Construiu uma alternativa. Chegou ao Parlamento. Agora lidera o PRA-JA Servir Angola. O PRA-JA nasceu pela sua mão. A legalização foi uma batalha longa.
Antes, a CASA-CE mostrou que existia espaço para uma terceira força política. Uma alternativa aos partidos tradicionais. O PRA-JA prometeu fazer diferente. Passou a representar uma nova esperança para muitos angolanos. Sobretudo para aqueles que não se reveem nem no MPLA nem na UNITA. Apresentou-se como um novo caminho.
Mas a última semana revelou uma realidade diferente: Lindo Bernardo Tito e William Tonet travaram-se publicamente de razões. O debate ganhou dimensão pública.
Lindo Bernardo Tito, militante do PRA-JA Servir Angola, saiu em defesa do líder e do partido. Mas, em vez de solidariedade, recebeu uma sapatada política do próprio PRA-JA Servir Angola.
O partido preferiu demarcar-se das suas posições. Deixou um dos seus militantes mais conhecidos exposto ao debate público.
Uma escolha que levantou dúvidas sobre a capacidade interna do partido para gerir diferenças. Proteger os seus e preservar a unidade. Em vez de apoiar um dos seus músicos, deixou-o sozinho no palco. Faltou solidariedade. Faltou seriedade. Faltou espírito de corpo. Faltou sentido estratégico. Faltou maturidade.
Quem pretende ser alternativa ao poder deve começar por demonstrar capacidade dentro da própria casa. Deve saber gerir diferenças. Deve resolver conflitos internamente. Deve inspirar confiança.
No momento em que se esperava liderança, o PRA-JA limitou-se a ver a banda passar. Pior do que isso: Virou-se contra a própria prata da casa.
E eu? Continuo à toa na vida, como na canção de Chico Buarque. Mas uma coisa já sei: A banda de Abel Chivukuvuku desafinou pela forma como tratou um dos seus.
Uma banda pode sobreviver a uma nota errada. O que dificilmente supera é abandonar o próprio músico no palco. Quem quer conduzir a música da governação precisa, primeiro, de provar que sabe cuidar da sua própria banda.
*Jornalista