UNITA alerta para falta de escolas e professores e ameaça de greve no novo ano lectivo
UNITA alerta para falta de escolas e professores e ameaça de greve no novo ano lectivo
alunos no chão

O Governo Sombra da UNITA alertou, quinta-feira última, para os problemas estruturais do sistema educativo angolano, apontando a falta de escolas e professores, o abandono escolar e as dificuldades no ensino superior como alguns dos principais desafios para o ano lectivo 2026/2027.

Num diagnóstico apresentado em conferência de imprensa, a UNITA estima que cerca de 4,5 milhões de crianças e jovens, entre os cinco e os 18 anos, estejam fora do sistema de ensino, defendendo a construção de entre 2.000 e 8.000 novas escolas para responder à procura.

Segundo a formação política, Angola dispõe actualmente de cerca de 7.700 escolas públicas, das quais aproximadamente 25% funcionam em condições precárias. O partido denuncia ainda a existência de milhares de crianças que frequentam aulas ao ar livre, debaixo de árvores, sobretudo em zonas rurais.

A UNITA aponta igualmente para um défice estimado entre 60 mil e 78 mil professores, apesar de o país contar com cerca de 206 mil docentes no ensino público.

A situação laboral da classe docente é apresentada como uma das principais ameaças ao arranque do novo ano lectivo. O partido afirma que o incumprimento de compromissos assumidos pelo Executivo com os professores poderá levar o Sindicato Nacional dos Professores (SINPROF) a avançar para uma greve geral.

No ensino superior, o Governo Sombra da UNITA criticou a distribuição das vagas para o ano académico 2026/2027. Das 195.453 vagas autorizadas para 106 instituições, apenas 22.363, equivalentes a 11%, foram atribuídas às instituições públicas, enquanto 173.090 ficaram para o sector privado.

A oposição considera que esta distribuição agrava as dificuldades de acesso ao ensino superior para famílias de baixos rendimentos, num contexto de inflação e perda do poder de compra.

A UNITA denunciou ainda alegadas práticas de venda ilegal de vagas nas instituições públicas, defendendo o reforço da fiscalização dos processos de admissão.

Outro motivo de preocupação apresentado é o abandono escolar. Citando dados da UNESCO relativos a 2024, a UNITA afirmou que apenas 24% dos alunos concluem o segundo ciclo do ensino secundário, enquanto 42% terminam o primeiro ciclo e 64% concluem o ensino primário.

O partido relaciona os níveis de abandono com a entrada tardia no sistema, repetências, pobreza e desigualdades entre zonas urbanas e rurais.

Sobre o ensino superior, a UNITA criticou ainda a alegada insuficiência do financiamento público, a progressão lenta na carreira docente e a utilização das instituições de ensino para actividades de mobilização partidária.

O Governo Sombra defendeu, entre outras medidas, o aumento do investimento na construção e reabilitação de escolas, a contratação de mais professores, a melhoria das condições salariais e laborais e o reforço do programa de alimentação escolar.

A UNITA considera que ainda existem condições para evitar uma nova crise no sector, mas condiciona um arranque tranquilo do ano lectivo à resposta do Executivo às reivindicações dos professores.

Compartilhar:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
error: Conteúdo protegido