
Especialistas da Direcção Principal de Inteligência Militar Operativa (DPIMO), afecta ao Serviço de Inteligência e Segurança Militar (SISM), denunciam estar há anos à espera dos suplementos remuneratórios previstos no Estatuto Orgânico do órgão, aprovado em 2023, e acusam o general João Pereira Massano de desvalorizar oficiais com largos anos de experiência na área da inteligência militar.
As queixas surgem pouco mais de três anos após a aprovação do Decreto Presidencial n.º 235/23, que estabeleceu o actual Estatuto Orgânico do SISM e consagrou suplementos remuneratórios específicos para especialistas de Inteligência e Segurança Militar, militares em comissão normal de serviço, efectivos do Ministério do Interior e da Polícia Nacional colocados no SISM, bem como funcionários e agentes administrativos afectos ao órgão.
Segundo fontes do Imparcial Press ligadas à estrutura, apesar da previsão legal, os especialistas da DPIMO continuam sem receber os referidos subsídios, situação que tem provocado descontentamento e frustração entre oficiais com largos anos de serviço na área da inteligência militar.
A situação é agravada, de acordo com as mesmas fontes, por alegadas decisões internas que terão começado em Maio de 2025, quando oficiais da DPIMO foram orientados a abandonar as instalações onde funcionavam há mais de duas décadas, para dar lugar a novos efectivos recrutados pelo SISM.
“A medida foi ordenada pelo todo-poderoso chefe do SISM, general João Pereira Massano, com o propósito de retirar os especialistas dos seus gabinetes para dar lugar aos seus filhos, sobrinhos e amantes recém-recrutados, muitos dos quais não possuem experiência na área de Inteligência e Segurança Militar”, afirmam as fontes.
Perante a orientação, os especialistas da DPIMO terão procurado a intervenção do então ministro de Estado e Chefe da Casa Militar da Presidência da República, general Francisco Furtado, bem como do Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas, general de Aviação Altino Carlos José dos Santos, mas não terão obtido uma solução para o problema.
“Estão a colocar especialistas séniores na rua, sem respeitar a experiência e a hierarquia. Nem o antigo Chefe da Casa Militar conseguiu resolver a situação, enquanto o actual Chefe do Estado-Maior General das FAA tem procurado aconselhar um entendimento entre o chefe do SISM e o chefe da DPIMO, tendo em vista o interesse da segurança do país”, lamentam.
As fontes contestam, por isso, aquilo que consideram ser uma alegada substituição de quadros experientes por efectivos com menor experiência na área, defendendo que a gestão dos recursos humanos num órgão de natureza estratégica deveria privilegiar a competência, a especialização e a experiência acumulada.
Os especialistas queixosos apelam às entidades superiores de tutela para que esclareçam a situação dos suplementos remuneratórios previstos no Estatuto e averiguem as alegadas alterações nas condições de trabalho da DPIMO.
O Imparcial Press procurou obter uma reacção do SISM às denúncias, particularmente sobre o não pagamento dos subsídios e as alegações de favorecimento no recrutamento e ocupação das instalações, mas, até ao momento, não obteve resposta.