
Um homem de 35 anos morreu no Hospital Municipal do Sambizanga, em Luanda, depois de ter sido esfaqueado na madrugada de 16 de Agosto, com a família a acusar a equipa de serviço de negligência e de demora na prestação de assistência médica.
Catunga André Moreira, segundo a esposa, Emília dos Santos Quima, foi levado para a unidade hospitalar, conhecida como Hospital da Somag, cerca das 02:20, minutos depois de ter sido atacado por indivíduos que a família identifica como integrantes do grupo “Formação P”, no bairro dos Ossos, município do Hoji-Ya-Henda.
A mulher afirma que o marido apresentava vários ferimentos provocados por arma branca na cabeça, nuca, costas, abdómen e braços e que, à chegada ao hospital, encontrou apenas um enfermeiro a prestar assistência a outro paciente.
“Os médicos estavam a dormir”, afirmou Emília dos Santos Quima, segundo o relato apresentado à imprensa, acrescentando que a família e outros acompanhantes de pacientes ficaram surpreendidos com a ausência de profissionais médicos no local.
De acordo com a esposa, cerca das 03:20 apareceu um médico que iniciou o atendimento, mas posteriormente informou a família de que as linhas de sutura disponíveis no hospital tinham terminado e pediu que fossem adquiridas numa farmácia próxima.
A família afirma ter comprado o material e regressado ao hospital cerca de 20 minutos depois. Segundo o relato, o médico terá considerado insuficiente a quantidade adquirida e solicitado mais material.
“Voltamos à farmácia e conseguimos mais linhas de sutura. Desta vez, ao entregar-lhe, disse que já não era necessário e que esperássemos no quintal do hospital”, relatou a esposa.
Cerca das 05:00, segundo a família, os parentes foram chamados para preencher os dados pessoais do paciente e informados de que Catunga André Moreira tinha morrido.
A família questiona se houve assistência adequada ao paciente e pede ao Ministério da Saúde a abertura de um inquérito para determinar as circunstâncias da morte e apurar eventual responsabilidade dos profissionais que estavam de serviço naquela madrugada.
“Exigimos que o Ministério da Saúde faça um inquérito para apurar a causa da morte e que sejam responsabilizados os membros da equipa médica que trabalharam nesse dia”, afirmou a esposa.
Contactada sobre o caso, a delegada municipal da Saúde do Sambizanga, identificada como Adelaide, disse que a administração tomou conhecimento da situação e está a averiguar o sucedido, depois de ouvir os profissionais que estavam de serviço.
Segundo a responsável, a versão transmitida pela equipa é diferente da apresentada pela família.
“O paciente chegou cá numa condição crítica e pouco poderia se fazer”, afirmou a delegada, acrescentando que o homem teria chegado ao hospital depois de sofrer ferimentos graves durante o ataque.
A responsável esclareceu ainda que, segundo os procedimentos da unidade, são os enfermeiros, e não os médicos, que realizam as suturas, contrariando a versão apresentada pela família sobre a intervenção inicial.
“Entretanto, nós reunimos e estamos a averiguar o caso, pelo que vamos nos pronunciar assim que houver mais elementos”, declarou.
A família contesta, contudo, a qualidade da assistência prestada e questiona a disponibilidade de materiais básicos numa unidade hospitalar municipal, alegando que os familiares são frequentemente obrigados a adquirir medicamentos e consumíveis fora do hospital.
O caso levanta novamente questões sobre a capacidade de resposta das unidades sanitárias públicas de Luanda, sobretudo durante os períodos nocturnos.
A determinação dessa eventual relação dependerá de uma investigação clínica e administrativa, incluindo a análise do processo médico do paciente, dos registos de entrada e atendimento e das circunstâncias exactas em que ocorreu a morte.