
Uma cidadã de 35 anos morreu em Luanda depois de ser submetida a procedimentos estéticos para redução de gordura abdominal num salão de beleza localizado no bairro Benfica, sendo este o segundo caso do género registado este ano na capital. A vítima foi identificada como Clara Luzia Garcia Lima, profissional ligada ao ensino superior.
Clara Lima exercia funções de secretária-geral e assessora do PCA da instituição do Instituto Superior Politécnico Internacional de Angola (ISIA) e, segundo informações divulgadas pela comunidade académica, foi igualmente funções de chefe do Departamento de Recursos Humanos.
Segundo nota do Serviço de Investigação Criminal (SIC), divulgada quarta-feira, 10 de Setembro, Clara Lima procurou o salão “Aurora Beleza e Bem Estar”, no Benfica, com o objectivo de realizar um procedimento destinado à redução de gordura localizada na região abdominal.
As investigações indicam que, nos dias 28 de Agosto, 1 e 4 de Setembro, a cidadã foi submetida à administração de uma enzima denominada L-Carnitina, seguida de sessões de drenagem linfática.
Depois dos procedimentos, Clara Lima apresentou um quadro clínico grave e foi internada na Clínica General Katongo, no município de Talatona. A mulher entrou posteriormente em coma profundo e acabou por morrer na unidade sanitária.
Na sequência da denúncia pública do caso, o SIC constituiu uma equipa multissectorial, envolvendo efectivos das Direcções de Combate aos Crimes Económicos e Contra a Saúde Pública e de Crimes Contra as Pessoas, em coordenação com a Inspecção-Geral do Ministério da Saúde.
A operação resultou, no dia 8 de Setembro, na detenção de Jéssica Diana Lopes Fernandes, de 25 anos, e Lídia Ndunga Pompeu, de 20 anos, ambas esteticistas e suspeitas de terem submetido a vítima aos procedimentos que antecederam o agravamento do seu estado de saúde.
Durante a acção inspectiva, foram igualmente constatadas irregularidades no funcionamento do estabelecimento, tendo as autoridades sanitárias determinado o encerramento imediato do salão “Aurora Beleza e Bem Estar”.
As duas suspeitas foram apresentadas ao Ministério Público para os ulteriores trâmites processuais, enquanto prosseguem as investigações para esclarecer as circunstâncias da morte e apurar eventuais responsabilidades.
A morte de Clara Lima provocou também reacções de outras entidades ligadas à comunidade académica.
O ISIA reagiu à morte com uma nota de pesar, na qual comunicou “com profundo pesar” o falecimento da Dra. Clara Lima e apresentou condolências à família, amigos, colegas e a todos os que com ela conviveram.
Na mensagem, a instituição destacou o legado e o contributo deixado por Clara Lima ao longo da sua trajectória, sublinhando que a sua presença permanecerá na memória daqueles que partilharam consigo projectos e momentos profissionais. O ISIA manifestou ainda solidariedade à família e amigos neste período de luto.
Já a LISSREDES manifestou profundo pesar pelo falecimento, descrevendo-a como uma profissional dedicada ao ensino e destacando o seu percurso no ISIA Polo Kilombo, em Ndalatando, além do papel desempenhado enquanto mãe e líder.
O caso ocorre poucas semanas depois da morte de Flávia Fernanda Ferreira Pereira, conhecida por “Fofa”, de 37 anos, que morreu em Julho após permanecer em coma na Clínica Geral Katondo, na sequência de um procedimento de hidrolipo realizado na clínica de estética Nice da Luz, entretanto encerrada pelas autoridades.
Com dois casos mortais associados a procedimentos de redução de gordura registados este ano, aumentam as preocupações sobre a fiscalização dos estabelecimentos de estética e os limites dos procedimentos realizados fora de unidades de saúde devidamente habilitadas.