
As autoridades sanitárias de Cabinda determinaram o encerramento temporário de pensões, hospedarias e outras unidades de alojamento que não reúnem condições adequadas de higiene e segurança sanitária, numa medida destinada a interromper as cadeias de transmissão da Mpox na província.
A decisão ocorre num momento de forte aumento dos casos em Angola, com Cabinda a concentrar a maioria das infecções activas. Segundo os dados apresentados pelo secretário de Estado para a Saúde Pública, Carlos Alberto Pinto de Sousa, Angola contabilizava, até 5 de Setembro, 442 casos confirmados em 11 das 21 províncias, dos quais 314 em Cabinda. O país registou ainda dois óbitos, um em Cabinda e outro no Uíge.
Dos 442 casos acumulados, 432 foram registados apenas em 2026, contra quatro em 2024 e seis em 2025, evidenciando a rápida expansão do surto este ano. Actualmente, existem 116 casos activos, dos quais 92 estão em Cabinda, seguindo-se o Moxico, com sete, e o Moxico Leste, com seis.
O secretário provincial da Saúde de Cabinda, Ruben de Fátima Buco, explicou que a fiscalização das unidades de alojamento visa retirar temporariamente de funcionamento os estabelecimentos que estejam à margem das medidas de segurança.
A medida não abrange, segundo as autoridades, as unidades que cumprem normalmente as condições exigidas.
Entre as preocupações das autoridades estão o cumprimento das regras de higiene, a vigilância de pessoas com sintomas suspeitos e a colaboração com as equipas de saúde. O objectivo é evitar que espaços de alojamento sem condições adequadas contribuam para novas cadeias de transmissão.
A situação em Cabinda é particularmente sensível devido à sua localização e à intensa circulação de pessoas nas fronteiras com a República do Congo e a República Democrática do Congo. As autoridades mantêm, por isso, uma vigilância reforçada nas zonas fronteiriças e nos principais pontos de entrada do país.
Desde o início do surto, as autoridades acompanharam 1.131 contactos de casos confirmados, enquanto 186 permanecem em isolamento e seguimento. A identificação precoce, o isolamento e o acompanhamento dos contactos continuam entre as principais medidas para interromper a transmissão.
Angola mobilizou igualmente 50 mil doses de vacina contra a Mpox, que estão a ser administradas de forma estratégica e prioritária devido à limitada disponibilidade mundial. A vacinação integra a resposta ao aumento de casos no país.
Os dados nacionais mais recentes mostram uma evolução muito mais rápida do que a registada anteriormente. No seu relatório de Julho, a Organização Mundial da Saúde contabilizava 108 casos confirmados em Angola até 19 de Julho, dos quais 86 em Cabinda, que já era então considerada o epicentro do surto no país.
A Mpox é uma doença infecciosa causada pelo vírus Mpox. Pode provocar febre, dores de cabeça, dores musculares e articulares, aumento dos gânglios linfáticos e lesões na pele ou nas mucosas.
O período entre a exposição e o aparecimento dos sintomas pode variar entre cinco e 21 dias, segundo as autoridades sanitárias angolanas.
A transmissão ocorre sobretudo através de contacto próximo com uma pessoa infectada, particularmente pelo contacto directo com lesões, feridas, secreções ou materiais contaminados.
As autoridades recomendam evitar o contacto próximo com pessoas que apresentem sintomas suspeitos, não partilhar roupas, toalhas e outros objectos pessoais e procurar assistência médica perante sinais compatíveis com a doença.
Angola contabiliza 442 casos confirmados de Mpox em 11 das 21 províncias, desde a confirmação do primeiro caso, em Novembro de 2024. Cabinda é a província mais afectada, com 314 casos acumulados, seguida pelo Moxico Leste, com 91. As restantes províncias afectadas apresentam números significativamente inferiores, segundo o Ministério da Saúde.
No quadro actual, há 116 casos activos em sete províncias: Cabinda (92), Moxico (7), Moxico Leste (6), Luanda (4), Lunda Sul (4), Bengo (3) e Cuando (1). Os dois óbitos registados desde o início do surto ocorreram em Cabinda e no Uíge.