
O presente artigo tem como finalidade principal compreender as implicações da separação dos pais no desempenho escolar dos filhos.
O fenómeno educativo que se pode considerar como “patológico” afecta com maior ou menor grau, todos aqueles que são submetidos à educação escolar. Por isso, a sociologia da educação procura dar resposta a este fenómeno da sociedade contemporânea (Cherkaoui, 1995, p. 43).
Trata-se de um assunto que tem sido reduzido ao contexto da sala de aula e a uma função exclusivamente estudantil, descurando-se os factores sociais, culturais, económicos e políticos.
Do nosso ponto de vista, a compreensão das implicações da separação dos pais no desempenho escolar dos filhos, não deve ser encontrada apenas na família e escola, mas, em toda a estrutura social, (família, escola, grupos de amigos, entre outros).
As implicações da separação dos pais no desempenho escolar dos filhos, exige uma incursão no passado que, necessariamente, nos remete a períodos dramáticos da história do nosso país enquanto Estado independente, designadamente, o período do conflito armado que vai de 1975-2002 e pela época em que foram realizadas a 1ª e 2ª reforma educativa (1976-2001), como se pode ver em (Vieira, 2007; Buza, 2014; Silepo, 2015 e Michingi, 2013).
A separação e o divórcio em Angola pode ocorrer de forma consensual ou litigiosa, regulando a dissolução do casamento, guarda de filhos, e partilha de bens conforme a lei civil angolana.
A separação dos pais é sempre um processo doloroso que envolve, em muitos casos, fortes sentimentos de tristeza, de perca e de frustração para as famílias em geral. Os filhos perante uma situação de divórcio e separação dos pais, vivenciam o facto como desestabilizador (Sousa, 2009, p. 6).
A maioria dos casos de separação e divórcio que acontece de forma traumática, onde os filhos são os maiores penalizados, tem implicações, não só na aprendizagem das crianças.
Mas também, começam a apresentar problemas graves de relacionamento e socialização fruto da falta de maturidade dos pais para conduzir um processo de ruptura tão delicado (Ibidem).
De acordo com Ramiro (Apud, Souza, 2015, p. 6-7), “as crianças têm que lidar com as alterações na rotina de vida. A saída de casa de um dos pais, a família extensa, situação económica, perigo, mudanças no seu relacionamento social e o seu comportamento no lar e na escola pode afectar seu desempenho.
A separação conjugal conduz à reorganização da vida afectiva, social, profissional e sexual dos pais, modificando, às vezes dramaticamente, a rede de convivência e apoio das crianças introduzindo, ao longo do tempo, a necessidade de relacionamento (e rompimento) com os novos parceiros dos pais e seus possíveis filhos e familiares” (Ibidem).
A separação e suas implicações na vida da família, enquanto fenómeno social, tem sido abordado ao longo dos tempos em diversas áreas do saber. O “foco inicial residiu sobre o impacto na sociedade, no estigma a ele associado e nas consequências que tem sobre os indivíduos” (Trindade, 2014, p. 2).
No que tange as consequências nos filhos de pais divorciados, vários estudos focam os efeitos ao nível do ajustamento psicológico (Amaro & Keith; Amato; Prtnoy citado por Trindade, 2014, pp. 1-2).
No caso concreto de Angola, observar-se a ocorrência de muitas mudanças na confirmação e estruturação das famílias.
Uma análise realizada por Trindade (2014, p. 4), realçam a existência de pelo menos, três explicações das consequências do divórcio nas crianças:
Primeira, tem a ver com o absentismo parental. Assume que a família é a chave social para proporcionar a inserção eficaz das crianças na sociedade, ou seja uma família tradicional em que se considera que, ambos os pais vivem juntos com a (s) criança (s), é o ambiente ideal para o seu desenvolvimento do que, um contexto familiar monoparental em que, a criança vive apenas com um dos progenitores.
Segunda, defende a desvantagem económica. Os recursos económicos, aumentam o risco de problemas de desenvolvimento nas crianças, por exemplo, mãe/pai, solteiras com dificuldades económicas não são capazes de proporcionar aos filhos ferramentas essenciais ao seu desenvolvimento social, designadamente, brinquedos educacionais, livros, explicações privadas entre outras.
Trata-se de uma perspectiva, assume ainda, a hipótese segundo a qual, o bem-estar dos filhos é reforçado se o progenitor com a custódia, estabelecer um novo relacionamento (Padrasto/madrasta) já que, este facto resulta numa necessidade da situação económica do agregado familiar.
Terceira, refere-se ao conflito familiar. O conflito entre pais, antes, durante e após a separação, é um factor de grande “stress” para as crianças.
O presente artigo como foco as implicações da separação dos pais no desempenho escolar dos filhos.
Os objectivos foram alcançados uma vez que conseguimos compreender as implicações da separação dos pais no desempenho escolar dos filhos.
É de referir que, com base aos recursos, as diferentes técnicas utilizadas, designadamente a pesquisa qualitativa e a técnica de entrevista aprofundada, foi possível referir os seguintes pontos relevantes, a saber:
A separação de pais e/ou encarregados de educação tem implicações na vida doS FILHOS, pois, é um período marcado por alterações na estrutura da personalidade do mesmo mas também, é a fase que pode explicar grande parte do insucesso escolar.
A separação de pais é um dos factores que tem implicações significativas no desempenho escolar dos filhos, mas também, pode ser o resultado de comportamentos anti-sociais de carácter individual, associado a área de residência onde o aluno vive.
Os pais separados, apresentam pouco ou em nada se importam com a vida escolar dos seus filhos, deixando muita das vezes as suas responsabilidades parentas para outros membros da família ou em situação mais grave, os filho ficam a sua sorte.
Os factores escolares e o meio onde os alunos estão inseridos, zonas vulneráveis, onde a pobreza e questões inerentes a ela, constituem, igualmente factores que proporcionam as implicações significativas no desempenho escolar dos filhos.
A mitigação do fenomeno “insucesso escolar” implica a criação por parte das instituições do estado que estão directamente vinculados a problemática educativa de uma rede bem estruturada de profissionais capacitados (escola, familia, hospitais associações comunitárias) de forma a potenciar a articulação das intervenções neste domínio.
O fracasso no acompanhamento escolar dos pais e/ou encarregados de educação, é também um dos factores que pode ser apontado para o fenómeno do insucesso escolar.
Os filhos de pais separados, tendem a desenvolver comportamentos agressivos em ambiente escolar, mostrando um completo desinteresse pelas aulas. Todavia, para estas crianças por falta de acompanhamento e do afecto dos pais, a escola deixa de ter sentido para as suas vidas.