
Moradores do município do Sequele pediram ao MPLA, partido no poder, a exoneração do administrador municipal, Adão Pacheco Valentim, acusando a sua gestão de estar na origem de demolições que terão deixado mais de 300 famílias sem abrigo e solicitando um inquérito à gestão e atribuição de terrenos no município.
Num documento dirigido ao Comité Central do partido, os moradores afirmam que as famílias foram desalojadas na sequência de demolições na Zona 0 do Sequele e alegam que os terrenos posteriormente terão sido entregues a cidadãos chineses.
Os autores da exposição questionam a actuação da Administração Municipal e perguntam ao MPLA “que governação é essa” que, segundo afirmam, retira terrenos a cidadãos angolanos para os entregar a estrangeiros.
Além da exoneração de Adão Pacheco, os moradores pedem a abertura de um inquérito à gestão e venda de terras no município e o realojamento urgente das famílias afectadas.
As acusações surgem depois de vários relatos sobre demolições na Zona 0, iniciadas em 24 de Setembro. Moradores afirmaram não ter sido previamente notificados e denunciaram a destruição das suas residências.
A contestação ganhou dimensão política na sexta-feira, 2 de Outubro, quando deputados e militantes da UNITA se deslocaram à Administração Municipal do Sequele para procurar esclarecimentos sobre a situação.
A Administração afirmou que a deslocação não tinha sido previamente comunicada e recusou recebe-los. A situação originou um confronto verbal entre os deputados e o administrador Adão Pacheco.