Huambo: Participação do Rei do Bailundo em conferência do MPLA gera críticas
Huambo: Participação do Rei do Bailundo em conferência do MPLA gera críticas
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A participação do Rei do Bailundo, Tchongolola Tchongonga Ekuikui VI, na 14.ª Conferência Provincial Ordinária do MPLA, no Huambo, gerou críticas de políticos, activistas e membros da sociedade civil, que questionam a neutralidade das autoridades tradicionais perante os partidos políticos.

O soberano, cujo nome civil é Isaac Francisco Lucas, foi criticado nas redes sociais após surgir associado ao evento partidário, numa altura em que se intensifica o debate sobre a independência das instituições tradicionais em relação ao poder político.

O deputado à Assembleia Nacional Nuno Álvaro Dala considerou que a presença do rei no encontro evidencia, na sua perspectiva, a instrumentalização das autoridades ancestrais pelo partido no poder.

O parlamentar ressalvou que a questão não é a liberdade individual de escolha partidária, mas a influência que essa proximidade poderá exercer sobre a independência da instituição tradicional.

Na mesma linha, o activista Jeiel de Freitas questionou a aproximação entre as autoridades tradicionais e o MPLA, defendendo que os soberanos devem preservar a sua legitimidade junto de comunidades com diferentes sensibilidades políticas e religiosas.

Já o militante do Partido Liberal Paulo Viana levantou dúvidas sobre a capacidade de um rei que esteja ligado a uma formação política assegurar imparcialidade na resolução de conflitos que envolvam cidadãos de diferentes partidos.

A polémica surge depois de, em Julho deste ano, Ekuikui VI ter negado qualquer apoio à eventual candidatura do general Higino Carneiro à liderança do MPLA. Na ocasião, a Corte Real classificou como falsas as informações que atribuíam ao Reino do Bailundo subscrições de apoio ao antigo governante e exigiu provas documentais.

O soberano defendeu então que o Reino do Bailundo não é uma instituição política, mas uma entidade vocacionada para a preservação e promoção da cultura, apelando aos actores políticos para que não instrumentalizem as autoridades tradicionais.

Entretanto, a 14.ª Conferência Provincial Ordinária do MPLA no Huambo reelegeu, este sábado, Pereira Alfredo como primeiro-secretário provincial do partido, com 793 votos favoráveis, correspondentes a 99,8% dos votos, segundo os resultados divulgados pela Comissão Eleitoral.

O encontro elegeu ainda oito membros efectivos e um suplente para o Comité Central, 217 membros do Comité Provincial e delegados ao 9.º Congresso Ordinário do MPLA, marcado para 9 e 10 de Dezembro, em Luanda.

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