
Antigamente, dizia-se que os mais velhos eram a reserva moral da sociedade, os guardiões dos bons costumes e as referências das novas gerações. É verdade que a idade não fazia de ninguém um santo, mas esperava-se que a experiência trouxesse prudência, dignidade e vergonha na cara.
Hoje, porém, parece que os cabelos brancos já não são garantia de elevação moral. Os vídeos públicos de Jú Martins, em diferentes episódios, mostrando-o nu a manter relações sexuais com mulheres diferentes no gabinete, expõem uma realidade que ultrapassa o foro individual e levantam sérias questões sobre a conduta e a dignidade associadas ao lugar onde os factos ocorreram.
Mas o mais revelador é a reacção, ou melhor, a ausência dela. O MPLA não se pronunciou publicamente para repudiar os episódios, enquanto Jú Martins continua a marcar presença nas actividades e reuniões do partido, além de exercer as funções de mandatário do Presidente do MPLA.
Quando existem vários vídeos, envolvendo mulheres diferentes, o silêncio partidário deixa de ser um pormenor e passa a fazer parte do problema.
Que reserva moral pode reivindicar uma organização política que, perante uma exposição pública desta natureza, não manifesta sequer um repúdio institucional?
O silêncio pode transmitir politicamente uma mensagem de tolerância ou mesmo de cumplicidade que não pode ser ignorada.
Não se exige que os partidos sejam conventos, nem que os seus membros sejam santos. Exige-se coerência entre os valores proclamados e os comportamentos que se toleram. A credibilidade política também se mede pela capacidade de assumir posições quando a opinião pública questiona a conduta dos seus dirigentes e militantes.
MPLA conivente? A pergunta impõe-se. Porque, quando a vergonha desaparece e o silêncio institucional prevalece, a responsabilidade deixa de ser apenas individual e passa a ser também política.