
O Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, foi reeleito no domingo para um quarto mandato, não consecutivo, à frente da Presidência da República, ao vencer a segunda volta das eleições presidenciais, disputada com o senador Flávio Bolsonaro.
Com 99,9% das urnas apuradas, Lula, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), obteve 51,77% dos votos válidos, contra 48,23% atribuídos a Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), segundo dados divulgados pela Justiça Eleitoral brasileira.
A vitória garante a Lula mais quatro anos de governação, depois de ter exercido a Presidência entre 2003 e 2010 e regressado ao cargo em Janeiro de 2023, após vencer as eleições de 2022.
O actual chefe de Estado brasileiro torna-se, assim, o primeiro Presidente do país a conquistar quatro mandatos através de eleições directas, embora não consecutivos, depois das vitórias eleitorais de 2002, 2006, 2022 e 2026.
O resultado representa também uma reviravolta face à primeira volta, realizada a 04 de Outubro, quando Flávio Bolsonaro terminou na primeira posição, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.
A disputa eleitoral ficou marcada pela polarização política e por divergências em torno de matérias como a economia, a segurança pública, as políticas sociais e o papel do Estado.
Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro e filho do antigo Presidente Jair Bolsonaro, apresentou-se como alternativa à continuidade do actual Governo, numa campanha que mobilizou diferentes sectores do eleitorado brasileiro.
A eleição registou uma taxa de abstenção de cerca de 19,21%, segundo dados divulgados pela Justiça Eleitoral, num escrutínio marcado também por constrangimentos relacionados com o transporte de eleitores e pela prorrogação do horário de votação em alguns locais, por decisão judicial.
A vitória de Lula assegura igualmente a continuidade de Geraldo Alckmin, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), no cargo de vice-presidente da República.
Entre as prioridades apresentadas durante a campanha, Lula defendeu a continuidade das políticas sociais, o reforço do investimento público, a valorização do salário mínimo e a expansão dos investimentos em sectores estratégicos da economia.
Na política externa, o Presidente reeleito tem defendido o reforço das relações multilaterais, a diversificação das parcerias comerciais e o aprofundamento da cooperação entre países em desenvolvimento.
A nova vitória eleitoral prolonga a trajectória política de Lula, antigo metalúrgico e dirigente sindical que chegou pela primeira vez à Presidência em 2003, tornando-se uma das figuras mais influentes da política brasileira contemporânea.
O novo mandato deverá iniciar-se em Janeiro de 2027, na sequência da tomada de posse presidencial, prevista para 05 de Janeiro.