
Diplomatas angolanos participaram na abertura da terceira edição do Fórum de Investimento em Infraestruturas de Transportes e Logística (RIF 2026), realizada na terça-feira, em Kinshasa, República Democrática do Congo (RDC), com foco na integração regional e no desenvolvimento dos corredores estratégicos de transporte.
A cerimónia foi presidida pelo vice-primeiro-ministro e ministro dos Transportes, Vias de Comunicação e Desencravamento da RDC, Jean-Pierre Bemba, e contou com a presença do embaixador de Angola naquele país, Miguel da Costa, acompanhado pelo cônsul-geral de Angola em Katanga, António Miala, e funcionários da missão diplomática angolana.
O fórum, que termina hoje, 28 de Outubro, reúne decisores políticos, representantes de governos provinciais, instituições financeiras, investidores, operadores de infraestruturas, empresas dos sectores dos transportes e logística, parceiros técnicos e intervenientes da área da inovação dos países da África Central.
O encontro tem como objectivo impulsionar a transformação dos corredores de transporte em eixos estratégicos de desenvolvimento económico e industrial, bem como de promoção do investimento.
A realização do RIF 2026 ocorre cerca de dois meses depois da deslocação do Presidente angolano, João Lourenço, a Kinshasa, onde, ao lado do homólogo congolês, Félix Tshisekedi, testemunhou a assinatura do contrato de concessão entre o Governo da RDC e a empresa Mota-Engil para a construção e exploração da extensão ferroviária do Corredor do Lobito em território congolês.
A conectividade dos corredores assume importância estratégica para a RDC, país situado no centro de África e que partilha fronteiras com nove Estados, com diferentes ligações de acesso aos mercados internacionais.
A oeste, o Corredor do Lobito permite aproximar as bacias mineiras congolesas do Oceano Atlântico, através de Angola, enquanto, a sul, as ligações à Zâmbia sustentam parte dos fluxos de transporte da região mineira do Copperbelt.
A leste, os corredores em direcção à Tanzânia e ao Oceano Índico constituem vias de acesso aos mercados internacionais, enquanto a aproximação ao Congo-Brazzaville coloca em evidência a conectividade entre as duas capitais e os projectos de integração transfronteiriça.
Segundo os especialistas presentes, as infraestruturas africanas já não podem ser concebidas apenas dentro dos limites das fronteiras nacionais, num contexto internacional marcado pela procura de minerais críticos, pela segurança das cadeias de abastecimento e pela diversificação das rotas comerciais.
Estradas, linhas ferroviárias, portos e plataformas logísticas assumem, neste quadro, um papel determinante na afirmação do poder económico e geopolítico dos países.
O RIF 2026 decorre sob o lema “Corredores Estratégicos, Soberania Logística e Integração Regional – Construir o Poder Infraestrutural da África Central”.