Angola: Quem protege o terrorista Jaafar Issa?
Angola: Quem protege o terrorista Jaafar Issa?
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Assiste-se em Angola a um fenómeno alarmante que desafia a soberania nacional e a eficácia das nossas principais instituições de defesa, segurança e justiça. Perante denúncias públicas e provas documentais apresentadas, o Serviço de Investigação Criminal (SIC), o Serviço de Informações e Segurança do Estado (SINSE) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) mantêm um silêncio ensurdecedor e um olhar pávido que legítima a inquietação da sociedade civil.

A pergunta que não se quer calar e que exige uma resposta imediata das autoridades é direta: Quem é Jaafar Issa e por que razão parece ser intocável em solo angolano?

As suspeitas que pesam sobre este cidadão, de origem libanesa, são de extrema gravidade. Relatos indicam que se terá feito passar por cidadão da República Democrática do Congo para esquivar-se às autoridades do seu país de origem por motivos de burla há mais de seis anos.

Mais grave ainda são as graves alegações que o apontam como suposto financiador de grupos extremistas, como o Hamas, utilizando capitais alegadamente provenientes da exploração ilegal de diamantes na região das Lundas.

A denúncia sublinha uma estrutura assustadora: o controlo de um contingente aproximado de 2.000 cidadãos congoleses em atividades de garimpo ilegal na Lunda Norte e Lunda Sul. Diante deste cenário de potencial ameaça à segurança nacional e transnacional, as interrogações multiplicam-se:

  • Quem são as altas patentes e os membros das instituições de justiça e segurança do país que garantem proteção a este indivíduo considerado altamente perigoso?

  • Que forças e interesses permitem que ande livremente por Angola, usufruindo de segurança e privilégios que deveriam ser negados a quem carrega indícios de criminalidade internacional?

  • Quem são os altos funcionários e seguranças que dão cobertura a Jaafar Issa e ao grupo de cidadãos libaneses que o acompanha?

Este caso expõe, de forma nua e crua, o profundo fracasso e a falência moral das instituições judiciárias do país. É inadmissível que os órgãos que deveriam salvaguardar a legalidade e a soberania nacional se mostrem inertes, impotentes ou, pior, coniventes face a crimes de dimensão transnacional.

Quando a justiça se verga ao poder do dinheiro e da influência, falha com a sua missão constitucional e trai a confiança de milhões de cidadãos que sofrem diariamente com as assimetrias do país.

Que nação estamos a construir quando os nossos governantes e magistrados parecem preferir proteger estrangeiros com indícios de perigosidade em vez de defender o património e a segurança dos próprios angolanos?

Diante desta inércia institucional, torna-se imperativo e urgente que este cidadão seja colocado perante a justiça para responder por todas as acusações que lhe são imputadas. Mas este processo não pode decorrer nas sombras dos gabinetes climatizados ou nos labirintos da burocracia que alimenta a impunidade.

O julgamento e a investigação devem ser conduzidos sob o olhar atento, firme e vigilante do povo angolano. O país já não tolera arquivamentos misteriosos nem compadrismos que mancham a nossa dignidade coletiva.

A PGR, o SIC e o SINSE não podem continuar a fingir que nada veem. A segurança nacional e a integridade das Lundas não estão à venda. Exige-se uma investigação transparente, o apuramento rigoroso de responsabilidades e que a lei seja aplicada de forma igual para todos. O povo angolano está a observar e exige respostas imediatas.

Manuel Jula Meso

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