
A mineradora britânica Neoterra, antiga Altona Rare Earths, aumentou a sua participação na Monte Muambe Mining (MMM), em Moçambique, para 70%, assumindo o controlo da empresa num negócio que envolve interesses ligados a figuras do actual poder político moçambicano.
Segundo o África Monitor, a operação, que acrescenta 19% à posição anteriormente detida pela Neoterra, concretiza uma etapa prevista no acordo com a Ussokoti Investimentos, sociedade que detinha a totalidade da MMM e cujos interesses são associados a famílias ligadas à Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO).
A Monte Muambe Mining detém a licença 7 573L, atribuída em 2017 para prospecção e pesquisa de fluorite, minerais associados e terras raras, com validade de 25 anos. O projecto está localizado no distrito de Moatize, província de Tete.
A então Altona entrou no capital da empresa em Junho de 2021, com uma participação de 20%, através de um acordo de farm-in, que previa o aumento progressivo da posição para 51%, após a estimativa dos recursos minerais, e para 70%, com a conclusão dos estudos de exploração e viabilidade económica.
Segundo a publicação, a Ussokoti está ligada ao ministro dos Recursos Minerais, Estevão Pale, e à família Mondlane, através de relações familiares e empresariais.
Estevão Pale estaria inicialmente representado na sociedade pela mulher, Esther Kazilimani Pale, com quem é casado em regime de bens adquiridos, enquanto os interesses da família Mondlane seriam representados por Pedro Jeremias Manjate, marido da ministra dos Antigos Combatentes, Nyeleti Mondlane.
Após a nomeação de Estevão Pale para o Governo, a sua participação terá passado para Pedro Jeremias Manjate, apontado como o único sócio moçambicano da MMM através da Ussokoti.
A entrada da Neoterra no controlo da mineradora ocorre numa fase em que o projecto se prepara para decisões de investimento, previstas para os próximos meses, segundo o África Monitor.
Os planos incluem a construção de unidades de transformação de terras raras destinadas à produção de materiais para baterias de lítio, bem como actividades de refinação de urânio para produção de material nuclear.
A operação coloca em evidência a participação de interesses ligados a figuras políticas nacionais num projecto de minerais estratégicos, num sector que tem atraído investimento estrangeiro e crescente interesse internacional devido à procura de matérias-primas para a transição energética e outras aplicações industriais.